Júlio Ferreira: «Quero fazer história em Tóquio»

Entrevista ao n.º 9 do ranking mundial de taekwondo em -80 kg

O n.º 9 do ranking mundial de taekwondo em -80 kg está a tirar o mestrado em Arquitetura na Universidade do Minho e tem um sonho: conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos de 2020.

RECORD - Quando começou a praticar taekwondo?

JÚLIO FERREIRA – Comecei em 2001. Os meus pais foram ao médico e disseram que eu era um miúdo muito irrequieto e traquina na escola, e o doutor aconselhou a que me colocassem num desporto no qual eu pudesse usar essa energia. Por sorte, perto de onde morava havia um ginásio de taekwondo e aconteceu naturalmente.

R - Então, entrou neste desporto quase por acaso…

JF – Foi mesmo por acaso, porque era um menino de 6 anos e o taekwondo não me dizia nada.

R - Como foi o caminho até ao patamar em que está hoje?

JF – Ao início foi mais por aprender a técnica, os movimentos e, principalmente, os valores deste desporto. Estive até aos 11 a aperfeiçoar a parte da técnica, a arte marcial, e comecei a ir a pequenas provas, nas quais o nível ainda era baixo, éramos ‘putos’. Fui subindo pouco a pouco, até que cheguei a este nível. A minha primeira grande prova foi um Open de Espanha, em 2009, que teve um grande investimento da Federação. A partir daí comecei a subir no ranking e a participar em provas mais importantes, principalmente em Espanha, e, em 2010, consegui o bronze nos Europeus de juniores. Depois surgiram os Europeus, Grand Prix e Opens que já valiam para o ranking olímpico.

R - Juntando estudos e treinos, consegue ter algum tempo livre?

JF – Sim, até porque admito que não sou um estudante de excelência. Com o tempo que tenho livre poderia ser melhor, mas prefiro aproveitar, estar com os meus amigos, ter uma vida sociavelmente boa. Consigo ter um bom equilíbrio e sei que os resultados que tenho vindo a conseguir têm-me ajudado, isto porque se as notas baixassem, teria de treinar menos e estudar mais, e se os resultados não aparecessem, teria de estudar menos e treinar mais. No entanto, consigo equilibrar e isso é muito positivo. Como estou a conseguir continuar com os bons resultados a nível mundial e olímpico, sigo a minha vida normal. Está a ser uma caminhada porreira.

R - E as medalhas têm aparecido...

JF – É verdade, mas tenho tido altos e baixos. Este ano consegui medalhas que nunca tinha conquistado, principalmente nas Universíadas em Nápoles, que foi um grande marco, até porque era a minha última oportunidade para conseguir essa marca num palco tão importante. Para além disso, consegui ser muito constante nos Opens e obtive os meus melhores resultados. No entanto, o reverso da moeda foram os Grand Prix, nos quais andei sempre à volta dos nonos e décimos lugares, mas ainda posso melhorar no Grand Prix Final, na Rússia.

R - Então o bronze em Nápoles foi a medalha que mais o marcou até agora?

JF – O momento foi muito especial, sim, porque os maus resultados nas duas Universíadas anteriores foram muito complicados de ultrapassar. Foi um pouco traumatizante. Agora ter conseguido foi especial, único, e nunca tinha tido aquela sensação.

R - E qual é aquela que mais ambiciona?

JF – Claro que a medalha que mais ambiciono é a de ouro dos Jogos Olímpicos. Não temos essa marca na história do taekwondo português e seria a marca que colocaria a modalidade na boca das pessoas. O taekwondo seria catapultado para outro nível. Seria histórico para o nosso desporto e eu quero fazer história em Tóquio. É uma ambição possível e seria uma satisfação incrível justificar o meu trabalho com a medalha que todos querem no maior palco do Mundo.

R - O que há a fazer para carimbar passagem para Tóquio?

JF – Faltam-me alguns pontos para conseguir ir direto e isso pode acontecer já no Grand Prix Final. Se não for capaz, tenho ainda o apuramento europeu para os Jogos Olímpicos, em abril, e, com maior ou menor dificuldade, acredito que vou estar em Tóquio.

Por Pedro Filipe Pinto
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