Manuel Mendes: «Trabalhar e lutar a 300% pelo nosso país»

Entrevista ao atleta paralímpico

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• Foto: Comité Paralímpico de Portugal
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RECORD - De que forma é que a preparação para a competição nestes Jogos é modificada devido ao clima que se sente em Tóquio?

MANUEL MENDES – Julgo que todos os atletas da minha classe vão correr abaixo daquilo que são os seus tempos normais e as capacidades de cada um, porque quem tentar correr ao nível e ritmo a que está habituado, certamente não chegará ao fim da prova de maratona. É aquilo que perspetivo e que os entendidos sobre a matéria dizem. Penso assim acerca da minha prova. Depois, depende também se os adversários são melhores, se vão cometer erros... Tenho de fazer a minha parte e depois veremos o que irá acontecer. Nunca se pode ter a certeza. Há sempre indefinição. Depois, na altura, ver-se-á como cada um vai abordar a competição. Mas vamos enfrentar condições complicadas e que podem fazer a diferença.

R - Depois de ter sido medalha de bronze no Rio de Janeiro’2016, que objetivo tem definido para a prova de maratona este ano?

MM - Não tenho um objetivo em concreto... Entre os vários concorrentes, existem atletas com muita valia. Já tinha grandes adversários antes e, desta vez, ainda vou ter igualmente um maior número de oponentes. Quer em quantidade, quer em qualidade, certamente. Da minha parte, os objetivos passam por um compromisso que tenho desde a primeira hora em que comecei nisto. No fundo, passam por trabalhar, dar o meu máximo e sair de consciência tranquila. Isto sabendo que tenho adversários com mais qualidade, ou seja, no fundo melhores. Vamos ver se irão arriscar mais, tendo em conta isso mesmo. Basicamente, tenho de preocupar-me com a minha corrida e depois na classificação veremos quem fica na frente, depois em segundo, terceiro... e por aí fora.

R - Qual será então a sua estratégia para a maratona?

MM - Tal como aconteceu no Rio de Janeiro, o meu plano passa por correr de trás para a frente, por assim dizer. Numa fase inicial da corrida, quero ir com algumas cautelas e, conforme as sensações que tiver durante o percurso, quero começar a tirar tempo e a galgar quilómetros em relação aos adversários que estejam à minha frente. Vou tentar aproximar-me e, quem sabe, passar esses adversários... Mas, é como digo, tenho adversários de muita categoria e também tenho de contar com o fator do clima, que terá influência. Há que tentar controlar as dificuldades no dia e perceber o que vai acontecendo. Vou tentar ser feliz!

R - Pode ser a maratona mais difícil que já teve pela frente na sua carreira?

MM - É assim, cada maratona tem a sua história. Quando menos se espera, às vezes somos felizes. Noutras ocasiões, trabalhamos muito, estamos em boa forma e as coisas não corre bem. Ou nem estamos tão bem e os resultados positivos surgem. Por isso, a história desta maratona vai ser escrita dia 5 de setembro e vamos ver como é que as coisas vão correr.

R - Este ano temos uma missão paralímpica com muitas caras novas. Como um dos atletas mais experientes na comitiva, dá muitos conselhos aos jovens?

MM - O grupo é unido. Acaba por ser um bom grupo, que está sempre presente em tudo e ajudamo-nos mutuamente. Tentamos sempre que não falte nada uns aos outros. O conselho que dou é que o desporto paralímpico tem uma grande exigência e quem quiser ser bem sucedido, terá de encarar isto de uma forma muito séria e profissional. Não faz sentido que seja de outra forma. Só podemos trabalhar e lutar a 300% quando representamos o nosso país!

R - Também tem vindo a existir essa tal maior profissionalização do desporto paralímpico nos últimos anos...

MM - Daquilo que posso falar, já que nem entrei há muitos anos, é que tem tido uma evolução fantástica. Tem que ser realçado o esforço de todos os elementos. Desde o Comité Paralímpico de Portugal até às federações e atletas. Existem melhorias significativas e todos estão de parabéns. Não está tudo feito, mas está muito melhor. E julgo que isso vai continuar a ser dessa forma.

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