Marcos Freitas: «Já olham para nós com outros olhos»

Mesatenista fala sobre a evolução da modalidade no nosso país, em entrevista a Record

• Foto: Pedro Ferreira

RECORD - Tendo em conta a evolução do ténis de mesa em Portugal e os resultados alcançados nos últimos anos, considera que as potências da modalidade já têm outro respeito pelos portugueses?

MF– Sim, sem dúvida. Já olham para os portugueses com outros olhos. Lá fora temos uma boa imagem, já que temos atletas muito bons. E não é só de agora. Há muitos anos que competimos num nível muito elevado. Basta ver as medalhas que conquistámos em Campeonatos da Europa, em individual ou por equipas. E mesmo as participações nos Jogos Olímpicos. A nível nacional, sente-se que a malta mais jovem quer fazer o mesmo e conseguir ter uma boa carreira. Sonham em conseguir esses bons resultados e estão num bom caminho. A Federação está cada vez mais atenta à iniciação na modalidade, o que é importante. Pelo que vejo no centro de alto rendimento em Gaia, temos bons treinadores a trabalhar a formação em Portugal. Vamos ver se conseguimos ter bons talentos para o futuro, que possam chegar também aos Jogos Olímpicos.

+ Você tem uma carreira já longa. Qual é o segredo para conseguir manter essa longevidade?

MF – No ténis de mesa é normal jogar-se até mais tarde. Pelo menos na Europa. Tenho colegas meus com 39 anos, alguns até com 40 ou mais. E ainda conseguem manter um nível muito alto. Agora, é preciso ter cuidado com o corpo e saber escolher bem as alturas que participamos numa competição e descansamos. Nesta modalidade não existe contacto físico e, por aí, dá para prevenir as lesões.

+ Vê-se a jogar até que idade?

MF – Não queria estar a falar muito do futuro ou até, por exemplo, de Paris’2024, porque os Jogos de Tóquio ainda nem aconteceram. Mas daqui a três anos espero estar a um bom nível. Espero estar motivado e sem qualquer lesão.

+ Qual foi o momento ou a competição que o marcou mais até agora na sua carreira?

MF – São tantas... É difícil escolher. Na Seleção, sem dúvida que foi o Europeu de 2014 conquistado em Lisboa. Foi a primeira vez em que ganhámos um Europeu por equipas e logo frente a uma Alemanha muito forte, que tinha sido campeã da Europa seis anos seguidos. Foi único! A nível de clube, já ganhei sete ligas e quatro Champions. O mais memorável foi a primeira vez em que venci a Champions pelo Pontoise Cergy, pois nem éramos favoritos.

+ Como foi viver sem competição durante tanto tempo no último ano?

MF– Foi complicado e atípico. Desde as restrições nos voos até aos estágios adiados. Tivemos a primeira prova internacional em fevereiro, no Qatar. Depois tive de treinar cada vez mais. A partir de março comecei a ter os primeiros jogos pelo meu clube [Orenburg] na liga russa. Correu bem e sagrámo-nos campeões. Depois tivemos o Europeu na Polónia e já estou com outro ritmo, que fui adquirindo com o regresso dos torneios.

+ Em que consistiu esse trabalho de recuperação?

MF – Passa por treinar a maior parte do tempo na mesa de ténis. É preciso fazer trabalho de preparação física, estabilidade, equilíbrio e recuperação para estarmos bem. E outra parte também importante é a análise tática. O ténis de mesa é um desporto muito tático e temos de perder muito tempo a analisar os jogadores.

+ De que forma foi afetado o calendário das competições?

MF – Estivemos parados durante 3 ou 4 meses seguidos no mesmo local. É difícil, pois não temos noção a que nível estamos. Foi o mais complicado.

Por Filipe Balreira
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