Maria de Lurdes Cardiga: «O João transformou burros em cavalos»

Diretora da Academia recorda origem

• Foto: Fernando Ferreira

Se há uma questão, os alunos já sabem a quem recorrer. Maria de Lurdes Cardiga é como uma mãe para as centenas de atletas que frequentam a Academia. De sorriso fácil e despachada, a atual diretora é a principal dinamizadora de um espaço que há 28 anos era muito diferente.

"Este sítio era muito artesanal, com pessoas sonhadoras que queriam desenvolver uma atividade à volta do cavalo. Era um projeto pequeno e com construções rudimentares", lembra a diretora, que recorda ainda o feito do seu marido de transformar dois "burros em cavalos". "Este terreno tinha dois cavalos que mais pareciam burros e que não eram do João Cardiga, mas ele sugeriu ficar com os cavalos. Tinham um aspeto horrível. Passados três meses a cuidar deles, os cavalos que pareciam burros tinham-se transformado em príncipes. Tinham um aspeto magnífico. Foi a partir desses cavalos que se começou a desenhar na cabeça dele a abertura das portas da quinta a quem quisesse vir aprender."

Para o crescimento de um espaço que começou do zero, a visão fora da caixa de Maria de Lurdes Cardiga foi a chave do sucesso da Academia. "Eu vejo mais além e gosto de sonhar com um projeto maior, que acolha mais gente e que tenha um papel importante no concelho e na sociedade. A Academia é já um marco da equitação a nível nacional. Temos feito muito para o desenvolvimento da modalidade, quer a nível desportivo, quer nos outros sectores, como a saúde."

João Pedro Cardiga: «Sensibilidade é importante»

Habituado desde novo ao ensino de equitação, João Pedro Cardiga explica a característica mais importante que o treinador deve ter no ensino a pessoas com limitações físicas e intelectuais. "Cabe a nós ter a sensibilidade de analisar três áreas distintas: a performance do atleta, do cavalo e em conjunto. A sensibilidade tem de estar presente no treinador, é muito importante. As pessoas com deficiência, quando se propõem a competir, têm de ser tratadas de igual forma", conta o treinador, que não esconde o sentimento de realização quando vê a felicidade estampada no rosto destas pessoas. "É um estado de espírito que é visível. Sentem-se realizados e livres. É muito engraçado e gratificante", refere João Pedro Cardiga.

Por Rafael Godinho
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