Médicos de alta competição

Francisca Laia e Rui Bragança conciliaram o melhor de dois mundos. Dedicam-se agora só o desporto, mas com o ‘canudo’ na mão

O desporto não tem de ser incompatível com os estudos. E Francisca Laia e Rui Bragança são a prova disso. Terminaram recentemente o curso de Medicina e concentram-se, por agora, nas suas modalidades antes de se agarrarem ao exame que vai definir a especialidade.

"Vai depender muito da nota do exame e das vagas disponíveis, mas gostava de obstetrícia e ginecologia", explica Francisca, canoísta do Sporting. Natural de Abrantes, começou a remar no Clube Desportivo ‘Os Patos’ por influência do pai. Em 2012, ingressou na Universidade de Coimbra para cursar Medicina. Não teve grande tempo para os prazeres corriqueiros do mais comum dos mortais como as saídas à noite ou os cafés com os amigos, mas não se queixa. "No momento em que somos nós a fazer as nossas escolhas, não podemos queixar-nos de que alguma coisa ficou para trás. Claro que há coisas que perdi, mas prefiro não pensar nelas", conta a atleta.

E apesar de competir ao mais alto nível num desporto que leva Francisca ao limite, a canoísta fez o curso de Medicina nos seis anos previstos e sem deixar qualquer cadeira para trás. "Não é que haja uma fórmula mágica, mas vai de dar, no nosso dia-a-dia, mais a uma coisa ou mais a outra. Se fizermos as coisas desta maneira, acabam por correr bem", sublinha a atleta, de 25 anos, que já foi galardoada com o Prémio Asclepius-Desporto pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra.

Mas apesar do percurso de sucesso desportivo e académico, a conciliação dos horários foi o desafio mais complicado. "Nós na canoagem temos o treino mais forte de manhã e conseguir esse período da manhã livre nem sempre era muito fácil. A parte mais difícil foi esta: construir um horário para conseguirmos treinar-nos", destaca.

Dr. Rui está para breve

Rui Bragança licenciou-se em Medicina pela Universidade do Minho, em 2017. Fez história em 2016 ao tornar-se no primeiro português a conseguir vencer um combate de taekwondo nos Jogos Olímpicos. Mas a descoberta deste desporto foi por acaso. "Estava perto de casa", recorda o atleta natural de Guimarães. Entrou em Medicina com uma média de 17,3 valores com estatuto de alto rendimento. Conseguiu conciliar os dois mundos, apesar de ver o seu tempo limitado. "Já era pouco para fazer taekwondo e com a Medicina ficava sem tempo nenhum. Mas era esse o objetivo. E o que tem de ser tem muita força", sublinha o atleta do Benfica que, tal como Francisca, se dedica agora em exclusivo à modalidade que pratica desde os 13 anos, antes de pensar na especialidade. "Fiz uma pós-graduação em Medicina Desportiva e falta-me agora fazer o ano comum. Só depois de fazer o exame é que vou saber se consigo, já que só abre uma vaga para o ano", conta o atleta natural de Guimarães.

E apesar da difícil conciliação do desporto e da Medicina, há um aspeto que Rui Bragança nunca descurou: as horas de sono. "Estudei em muitas viagens, perdi muito tempo com a família, mas as horas de sono são sagradas. Um atleta de alta competição leva o corpo ao limite e precisa de regenerar de alguma forma, daí a importância de comer e dormir bem. Essas duas coisas são sagradas se quero ter um bom rendimento."

Agradecido ao Benfica

Atleta do Benfica, Rui Bragança conta que se não estivesse ligado contratualmente aos encarnados, talvez já fosse médico por esta altura. "Foi o que me permitiu estar ligado ao taekwondo. Se não tivesse essa ligação ao Benfica, provavelmente já seria médico, porque não há assim tantos apoios em Portugal para conseguir praticar qualquer desporto amador depois de se acabar a universidade. Sem um contrato de trabalho, era muito complicado", conta o atleta vimaranense, de 28 anos.

Por Rafael Godinho
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