Nuno Guerreiro: «Jogos Paralímpicos? É um sonho!»

O atleta de boccia é a prova de que nunca é tarde para atingirmos os nossos sonhos

RECORD - Portugal conseguiu recentemente o apuramento para os Jogos Paralímpicos? Vai estar presente?

NG – A Seleção Nacional é que conseguiu o apuramento para os Jogos Paralímpicos, não fui eu . É um desejo meu, mas não é uma certeza que vá estar presente. Depende da chamada do selecionador nacional. Tenho de trabalhar para isso.

+ Nunca participou em nenhuns Jogos Paralímpicos?

NG – Não.

+ E é um objetivo que tem em mente?

NG – É mais do que um objetivo... é um sonho! Eu sou uma pessoa que lida muito bem com esta situação e quero que as pessoas conheçam o desporto adaptado. Partilho muitas das minhas conquistas e as competições que temos na minha página do Facebook. Tenho tido um feedback muito positivo. Chego muitas vezes a casa e desabafo com a minha mulher Paula. ‘Que espetáculo! Estava na rua e as pessoas dizem: ‘Para a próxima tens de conseguir a medalha! Estamos contigo!’. Ir aos Jogos Paralímpicos é o atingir de um sonho. É também um reconhecimento muito grande. Desejo muito isso.

+ Falou aí da sua mulher. Qual é a importância da sua família no meio disto tudo?

NG - É muito grande. A Paula, a minha mulher e o meu filho Lucas são os meus pilares, porque nem sempre corre tudo bem. Quando preciso de motivação é ali que a encontro. É o meu filho que me dá mesmo muita força. Tenho também o apoio do meu irmão e da minha mãe. Em cada lançamento de bola eu penso: ‘Isto é para vocês!’. A minha família e os meus amigos são mesmo muito importantes.

+ Portugal tem tido bons resultados no boccia, tanto em provas internacionais como até mesmo nos Jogos Paralímpicos. A que é que se deve?

NG – Deve-se muito ao trabalho, sem isso era impossível. Nós não trabalhamos apenas o lançamento de bola. Por trás de nós existe uma estrutura que nos ajuda muito a lá chegar. Há um trabalho muito grande que é feito na Seleção. Temos psicólogos que nos ajudam a motivar naqueles momentos mais críticos. O trabalho que o selecionador faz, como todos aqueles exercícios, toda a metodologia de treino... é preciso trabalhar muito, acreditar e querer.

+ O que é que fica para trás?

NG – Treino muitas vezes para poder estar preparado para as competições. Acontece que nestas provas posso estar duas semanas fora de casa e há alturas em que a saudade começa a bater. Naquele dia em que as coisas não correm tão bem não dá para me refugiar em casa, na minha mulher e no meu filho, porque eles não estão lá. Às vezes até do cheiro do meu filho tenho saudades. Mas eu tenho de conseguir superar isso. Estou a concretizar sonhos e a atingir objetivos. Gostava de fazer isto mais oito anos e que fosse lembrado como aquele atleta que ganhou isto e aquilo. E quero que o meu filho se lembre: ‘O meu pai foi um grande atleta!’

+ Quem é que o ajuda no seu dia a dia?

NG – Durante o treino é o meu treinador, Rodrigo Jerónimo, assim como as auxiliares que lá estão, que me vão dando o apoio necessário. Em casa, é a minha mulher e o meu filho que me vão dando esse acompanhamento. Há coisas que consigo fazer, mas há outras que tem de ser a minha mulher a fazer quando chega a casa.

+ O seu filho já faz desporto?

NG – Sim. Gosto tanto de futebol que já lhe passei o ‘bichinho’ da bola.

+ O Nuno ingressou no boccia porque o futebol adaptado não estava suficientemente desenvolvido no nosso país. Qual é a realidade dessa modalidade em Portugal?

NG – Pelo que sei não tem grande visibilidade. Acho que só existe uma equipa, que é de Coimbra. Penso que acaba por ser pouco cativante para quem pratica porque não existe competitividade suficiente. Por exemplo, se em Coimbra só há uma equipa ou jogam uns contra os outros ou depois quando vão ao estrangeiro a competitividade é muito diferente, o que acaba por ser injusto. Deveria haver muito mais apoio ao desporto adaptado e não estou apenas a falar do boccia.

Por Rafael Godinho
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