O privilégio que é ser treinador

Os técnicos que acompanham os campeões portugueses garantem que não trocavam este trabalho por nada

Pedro Soares levou Jorge Fonseca ao ouro no Mundial
Bernardo Abreu treina surf adaptado
Pedro Leitão e João Pereira são uma dupla inseparável
Pedro Soares levou Jorge Fonseca ao ouro no Mundial
Bernardo Abreu treina surf adaptado
Pedro Leitão e João Pereira são uma dupla inseparável
Pedro Soares levou Jorge Fonseca ao ouro no Mundial
Bernardo Abreu treina surf adaptado
Pedro Leitão e João Pereira são uma dupla inseparável

Ao longo dos últimos meses, temos vindo a enaltecer os feitos de muitos desportistas que têm elevado a bandeira portuguesa ao mais alto nível. A competição é a hora da verdade e é aí que os verdadeiros campeões se destacam, mas... e o trabalho que ninguém vê? Esse, provavelmente, é ainda mais importante do que a própria competição, isto porque sem a preparação adequada... não há medalhas nem glória para ninguém. É esse o papel do treinador. 

Há quem diga que a qualidade de um treinador vê-se na performance do seu atleta em competição e é esse o privilégio desta profissão. Atrás de um atleta campeão do Mundo está um treinador que, devido a essa conquista, também é o melhor do Mundo. E Portugal tem tantos! É o caso de Pedro Soares (judo), Pedro Leitão (triatlo), Bernardo Abreu (surf adaptado), Francisco Santos (ténis de mesa), Rui Fernandes (canoagem), Gabriel Mendes (ciclismo de pista), José Machado (natação) entre tantos outros. São eles que acompanham dia a dia os nossos campeões e que, na maior parte das vezes, tem de ser muito mais do que ‘apenas’ treinadores.

Saudade eterna do tatami

Pedro Soares acompanhou de perto o sucesso de Jorge Fonseca no Campeonato do Mundo do ano passado, quando o judoca português conquistou o ouro na categoria de -100 kg e aponta esse momento como o melhor da carreira. “Agora só um título olímpico irá superar o que vivi nesses Mundiais. Jamais irei esquecer esse torneio, foi um dos momentos em que percebi que todo meu trabalho valeu a pena”, começou por dizer o antigo judoca, que admite já não sentir vontade de saltar para dentro do tatami: “Essa parte de mim já está resignada. Há não muito tempo ainda me passava pela cabeça, mas agora a minha carreira de treinador já não me dá espaço para pensar nisso. Já não consigo. Mas estou a falar de vontade, se falarmos de saudades, bem, essas serão eternas.”

Depois de deixar o tatami, Pedro Soares focou-se no treino que, para si é tão simples como “maximizar as capacidades dos atletas para os conseguir levar ao sucesso”. Tendo isto em conta, será que há mais para maximizar em Jorge Fonseca tendo em vista os Jogos Olímpicos? “Há sempre mais e o Jorge vai lá chegar como um alvo a abater. Mas o judo é uma das modalidades menos mensuráveis, porque podemos estar num excelente momento de forma e ir ao tapete logo à primeira. Mas o que posso dizer é que o Jorge tem capacidades para ganhar o ouro em Tóquio e sinto-o bem, mas não lhe vou cobrar se ele não conseguir”, conclui o treinador do Sporting e selecionador nacional.

De colega a... treinador

É esta a história de Pedro Leitão que, enquanto atleta, foi companheiro de treino de João Pereira e agora... é o seu treinador e parte integrante da Equipa Técnica Nacional de Triatlo. No entanto, pouco mudou na vida de Pedro. “Temos de levar uma vida muito semelhante à do atleta e isso é uma grande responsabilidade. Na nossa modalidade treinamos mais de 30 horas por semana , temos de estar sempre disponíveis para eles. Mas, mais do que tudo, acompanhá-los é um privilégio”, frisa, o técnico, de 31 anos, acrescentando: “Já nos meus tempos de atleta estava sempre muito atento à performance dos meus colegas e já era quase um treinador adjunto.”

Tendo em vista os Jogos Olímpicos, Pedro Leitão aponta a resultados nos top 10 e sonha com as medalhas: “É possível ir às medalhas com o João Pereira e com o João Silva. É só olhar para o historial e perceber do que eles são capazes. Por exemplo, o Pereira falhou a qualificação para Londres, mas no Rio de Janeiro foi quinto, por isso este ano podemos esperar ainda melhor. Mas levamos mais gente que pode fazer boas exibições.” 

A felicidade nas ondas

Quando se começou a pensar no projeto do surf adaptado, Bernardo Abreu foi, desde logo, convidado para integrar a equipa e, como o próprio diz, nem pensou duas vezes. “É um prazer enorme ser treinador e trabalhar com atletas que têm esta força de vontade. Cada um tem as suas limitações e dificuldades, mas não se notam dentro de água”, afirma, frisando aquilo que mais prazer lhe dá: “Ter comigo pessoas que querem mesmo fazer surf e ter a oportunidade de os ajudar a aproveitar as ondas apesar das limitações que têm. As minhas vitórias são as deles. Enche-me o coração vê-los a fazer aquilo de que mais gostam.”

Nem tudo é fácil neste trabalho, muito devido à falta de meios, isto porque cada atleta precisa de três ou quatro pessoas dentro de água para os ajudar, mas para tudo o resto, o técnico garante os seus surfistas são “facilitadores gigantescos”: “Para eles está sempre tudo bem!”

Várias experiências e apenas um papel: passar exatamente essas experiências para que os atletas portugueses continuem a exibir-se ao mais alto nível no futuro próximo. 

Por Pedro Filipe Pinto
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