Ouro passou de miragem a objetivo

Seleção de ciclismo corre este domingo o Mundial de fundo com a camisola arco-íris no horizonte

Lembra-se, estimado leitor, daquele dia 29 de setembro de 2013? Pois bem, foi há seis anos que Portugal se vestiu de arco-íris. É a data que ficará para sempre marcada na história do ciclismo português, porque foi o dia em que Rui Costa se sagrou campeão do Mundo de fundo numa tarde bastante chuvosa em Florença. As sete horas, 25 minutos e 44 segundos que culminaram com o poveiro a bater Joaquim Rodríguez ao sprint e a conquistar a tão desejada camisola arco-íris vieram provar que o ciclista português não é mais um nesta prova, mas sim alguém para ter muito em atenção. Vários têm sido os top 10, quer na prova em linha (Rui Costa foi 9º em 2015 e 10º em 2018), quer no contrarrelógio (Nelson Oliveira fez 7º em 2014, 4º em 2017, 5º em 2018 e, na passada quarta-feira, foi 8º), e hoje os seis representantes lusos vão para a ‘guerra’ em estradas de Sua Majestade com a medalha de ouro no horizonte, porque essa deixou de ser uma miragem e passou a ser um objetivo.

As armas portuguesas

A principal aposta lusa à vitória na prova deste domingo é precisamente Rui Costa e isso não poderia ser de outra forma. O corredor da UAE Emirates, tal como fez no ano passado quando regressou de lesão, promete dar tudo e garante que está num dos melhores momentos de forma da temporada. "Sinto-me bastante bem, mas nestas corridas isso às vezes não quer dizer nada. Vai ser preciso estar atento desde o primeiro quilómetro porque vai ser uma corrida bastante imprevisível", refere a Record o campeão do Mundo de 2013, relembrando esse dia de há seis anos: "É com muito carinho que recordo esse momento. Muitas coisas se passaram desde aí, boas e más, mas olhar para a ponta das mangas e dos calções e ver aquelas listas é... é indescritível. Também foi bom para o nosso ciclismo, porque veio dar sonhos a muitos jovens. Mostrou que é possível!"

Em relação à prova, o poveiro, de 32 anos, repetiu inúmeras vezes a palavra "atenção" e dá como exemplo as corridas que já se viram neste Mundial. "Muito nervosismo, quedas e cortes. Temos de ficar imunes e, para isso, é preciso muita atenção a todas as movimentações. A tática vai-se construindo ao longo da corrida. Precisamos de um dia perfeito para conseguirmos o resultado que queremos, que é voltar a estar entre os dez melhores", garante.

Outro ciclista que também sabe muito bem o que é correr nestas provas é Nelson Oliveira, que ficou novamente bastante perto de uma medalha na prova de contrarrelógio. Mas, como o próprio diz, não ter conseguido só lhe dá mais força para a corrida de hoje. "Faltou muito pouco, é verdade. Somos humanos, não somos máquinas. Agora é focar na prova em linha, na qual vou dar tudo o que tenho para representar Portugal da melhor forma. A quilometragem e a dureza vão fazer a seleção e espero que estejamos à altura", refere, confiante: "Não é impossível repetir 2013, o nosso objetivo é ganhar!"

Por seu lado, José Gonçalves, que vai somar a quarta participação em Mundiais, partilha da confiança do compatriota. "Ganhar outra vez seria fantástico. Todos sabemos que é possível se o Rui estiver num dia bom e a corrida nos correr de feição. Sabemos que não será nada fácil, mas... também não diria que não a um lugar no pódio", admite, garantindo que se sente bem, "apesar de não estar ao melhor nível".

Oliveira quer estreia de sonho

Dos cinco portugueses, o único estreante é Rui Oliveira. O jovem, de 23 anos, está no primeiro ano como elite e admite que foi apanhado de surpresa. "É um orgulho imenso vestir esta camisola em elites, mas não estava nada à espera. Fiz uma época em crescendo e sinto-me muito bem desde os Europeus", diz ao nosso jornal, afirmando que o percurso adequa-se às suas características.

Recordando que viu na TV Rui Costa a conquistar o Mundo, Oliveira faz uma promessa: "Vamos dar tudo por ele e quero terminar com o sentimento de dever cumprido."

Por Pedro Filipe Pinto
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