Pedro Fraga: «Quero muito conseguir a vaga olímpica»

As histórias cruzam-se desde Paranhos até Setúbal, com Montemor-o-Velho a servir de casa para o sonho olímpico

RECORD - Tem uma carreira sólida no remo português e é dos que melhores resultados dá ao país. Há alguns anos, pensava que poderia estar já neste estatuto?

PEDRO FRAGA – Não, não pensava nisso. Quando era novo, desejava divertir-me ao praticar esta modalidade e adorava estar com os meus amigos. Sempre pensei em competir, mas isso aconteceu mais com o passar dos anos.

R - Como ingressou no remo?

PF – Foi tudo graças ao meu pai. Ele deu-me a oportunidade de experimentar o remo e eu alinhei nisso. Perguntou se queria tentar um pouco a modalidade, pois ele é ligado ao remo, e eu lá fui e nunca mais abandonei.

R - Continuou no remo ao ponto de chegar ao Sporting. Sendo você de Paranhos (Porto), como se deu essa oportunidade?

PF - Foi algo que surgiu do nada. Essa oportunidade deveu-se a certas condições. Em primeiro lugar, o Sporting andava à procura de reforçar o seu contingente de atletas olímpicos e ao contratar-me conseguiriam isso. Em segundo, o clube [Sport Clube do Porto] que eu representava estava com dificuldades económicas. A partir daí, estavam criadas as condições que favoreciam as duas partes.

R - E de que forma sentiu essa mudança? Foi algo brusco?

PF - Por um lado, passei a estar num clube que tinha muito melhores condições e a minha carreira melhorou muito. Por outro lado, foi menos positivo, na medida em que deixei de me treinar com amigos antigos e colegas no Porto. Tínhamos uma grande amizade.

R - Mantém essas amizades?

PF - Continuam a ser amigos, mas a partir de uma certa altura passou a ser mais complicado.

R - Como tem visto a evolução do remo no nosso país?

PF - É uma modalidade muito distinta. Olhando bem, todos nós achamos que os resultados podem ser melhores e queremos ver mais atletas federados, mais equipas nacionais em competição e que isso se traduza em sucesso internacional. Só que a Federação Portuguesa de Remo atravessou um período difícil financeiramente e o remo é uma modalidade que exige uma estrutura igual à dos clubes grandes. Há trabalho a fazer, mas também houve melhorias.

R - Os resultados alcançados foram os expectáveis ou têm ficado abaixo da expectativa?

PF - No remo, os resultados dependem muito do contexto. Às vezes, surge uma geração mais forte. Mas penso que no futuro os resultados irão ser melhores.

R - Que objetivos tem traçados para o que resta da temporada?

PF - Neste momento, só penso em conseguir arrecadar a vaga olímpica que resta para 2020. Apesar de ter conseguido uma boa prestação no Campeonato do Mundo, não cheguei à qualificação olímpica. Eu e os meus colegas tivemos uma boa prestação e acho estamos prontos para disputar as vagas europeias. Eu e o Afonso [Costa] estamos focados.

R - Atualmente, faz dupla com Afonso Costa, mas antes tinha como parceiro o Nuno Mendes. Como foi a mudança?

PF - Estive com o Nuno Mendes mais de dez anos e acho que fizemos tudo o que era possível. Neste momento, remo com o Afonso, que é o atleta mais bem preparado em Portugal. Já tinha estado com o Afonso em provas internacionais e temos uma ótima relação.

R - Teve de abdicar de muitos aspetos na sua vida pessoal devido ao remo?

PF - Na fase adulta, abdicamos de muita coisa. Sou profissional, apesar de estar num desporto amador, e além disso ainda estou num projeto de desenvolvimento de material de barcos. Tenho uma empresa disso. O maior obstáculo pode ser a transição para vida profissional. Aos 37 anos, já recusei várias propostas de trabalho em virtude do treino.

R - E o que o marcou mais pela positiva na sua carreira?

PF - Passei por muitos altos e baixos, mas sei que quero continuar ligado ao remo. O que destaco de interessante é o facto de ter períodos em que me preparo individualmente e acho que isso é uma das coisas boas deste desporto. Podemos focar-nos em nós ou então estar num contexto de equipa e de grupo.

R - De que forma se nota que são contextos diferentes?

PF - Não difere muito o trabalho em grupo e o individual, mas penso que é muito importante estarmos sozinhos e focados nos aspetos que temos de trabalhar.

R - Nessa perspetiva, o que pretende melhorar a nível pessoal?

PF - Penso em todas as provas que tenho com vista a um objetivo: estar nos Jogos Olímpicos. Quero muito chegar lá.

R - Sente pressão acrescida nessa qualificação, já que o remo português não esteve representado no Rio’2016?

PF - Não! Não penso nesse aspeto e sei bem o quero.

R - A preparação dos Jogos Olímpicos mudou desde aí?

PF - Sim. Foi uma derrota para mim, pois o objetivo era estar presente. Assim, vamos mudando o nosso foco e os ciclos olímpicos são sempre diferentes.

Por Filipe Balreira
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