Seleção nacional de andebol: como surgiu o sucesso nos 7 metros?

Ainda um pouco na ressaca da boa prestação lusa no Europeu, Record analisa a evolução recente do andebol nacional

• Foto: Direitos Reservados

O andebol português tem tido uma grande evolução nos últimos anos, com os clubes nacionais a darem cartas em provas internacionais, mas foi o desempenho da Seleção que despertou ainda mais a atenção do público. A melhor prestação de sempre da equipa das Quinas (6º lugar no Europeu’2020) em grandes competições prendeu vários espectadores ao televisor para acompanhar o conjunto liderado por Paulo Jorge Pereira e Record quis saber as razões que levam a este sucesso recente.

Ao nosso jornal, o presidente da Federação de Andebol de Portugal (FAP), Miguel Laranjeiro, destacou as diretrizes que levaram à evolução da modalidade no nosso país. “Acima de tudo, tem sido realizado um trabalho consistente. São várias as razões que levam a este crescimento e os resultados exibidos no último par de anos. Existe uma aposta forte por parte dos clubes, o que ajudou muito, e também se deve à ambição, foco e consistência existente no trabalho feito em Portugal”, começou por explicar o dirigente, de 54 anos, destacando os frutos que a FAP colheu dos clubes nacionais: “Os resultados recentes são muito positivos e nós aproveitámos o que foi feito, como é óbvio.”

No fundo, Laranjeiro considera que “todas as partes envolvidas no andebol português estão imbuídas do espírito.” Ainda assim, o líder federativo garante que um dos principais objetivos a curto e médio prazo passa por cativar um maior número de praticantes para a modalidade. “Temos de aproveitar o que foi feito e concretizar também uma aposta maior no que diz respeito aos escalões jovens. Isto pois o desempenho internacional dá outra visibilidade ao andebol português e, com o desempenho no Europeu, podemos ter a capacidade de agarrar novos talentos e outros praticantes. Sem dúvida que o público mais jovem vê com cada vez maior afluência a modalidade e nós temos de conseguir tirar proveito disso mesmo”, destacou.

De resto, o dirigente, de 54 anos, traça metas sempre com uma palavra na mente: sustentabilidade. Miguel Laranjeiro reforça e enaltece o trabalho realizado nas últimas épocas a nível interno e internacional no andebol, mas deixa claro que pretende ver a modalidade ainda mais forte no contexto português.

Aposta no feminino

Acaba sempre por ser positivo enumerar as boas prestações obtidas por Portugal ao nível do andebol, mas Miguel Laranjeiro considera que o mesmo caminho de sucesso deve ser realizado também no contexto feminino. “Se tivesse de apontar objetivos para o que aí vem, diria que há que replicar o que foi feito, mas no feminino. É necessário que haja um investimento nesse aspeto, como é óbvio”, considerou, antes de elencar outro aspeto a melhorar no andebol português: “Queremos continuar os bons resultados nos escalões de formação!” “Temos de estar com regularidade em fases finais de grandes provas a nível dos escalões jovens... Ficámos em 4º no Mundial [2019, em Espanha] e temos um programa com vista a essas metas”, conclui. 

Melhor rendimento luso mereceu devido destaque

No Europeu’2020, a Seleção Nacional de andebol arrecadou a melhor classificação da sua história em grandes competições e o destaque dado não foi para menos. Os ‘Heróis do Mar’, como foi apelidado o conjunto liderado por Paulo Jorge Pereira, terminaram o campeonato da Europa no 6º posto, sendo que a Seleção não garantia presença nos grandes palcos desde 2006. Catorze anos depois, Portugal regressou à ribalta do andebol internacional e em bom plano.

De resto, a melhor prestação de uma Seleção portuguesa em grandes provas remontava ao Campeonato da Europa de 2000. Então, Portugal terminou na 7ª posição do Europeu realizado na Croácia. Nessa competição, a formação das Quinas terminou o Grupo B na 4ª posição e disputou depois com a Noruega a atribuição dos 7º e 8º lugares. Calhou a Portugal ser mais forte nesse duelo, com a formação lusa a bater então os rivais nórdicos por 30-27.

No que diz respeito a campeonatos do Mundo, a Seleção marcou presença nas provas realizadas no Japão (1997), França (2001) e em 2003, quando o nosso país foi o anfitrião do campeonato do Mundo. A Seleção Nacional tentaria então até uma possível qualificação para os Jogos Olímpicos’2004, mas não teve capacidade para ir além da 12ª posição e, assim, a ambição caiu por terra.

Crescimento gradual

Ao longo dos anos, o número de praticantes do andebol em Portugal tem crescido de forma sustentada. Nos finais dos anos 90 e início da década de 2000, a adesão não era tão grande, mas as qualificações alcançadas para fase finais de competições europeias e mundiais ajudaram à difusão da modalidade e a um acréscimo do número de praticantes. Se olharmos para os anos recentes, comprovamos que acabou por haver uma estagnação. De acordo com as informações do portal Pordata, de 2016 para 2017 até houve uma redução na afluência à modalidade, o que pode mudar com a prestação no Euro. 

Por Filipe Balreira
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