Tamila Holub: «Atletas deviam estar vacinados»

Entrevista à nadadora portuguesa

• Foto: Lusa
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RECORD - Ainda não está vacinada. Tem receio de que uma possível infeção a obrigue a parar e condicione a preparação para os Jogos Olímpicos?

TAMILA HOLUB – Sim. Os atletas olímpicos já deviam estar vacinados porque é um risco enorme para nós. Quanto mais perto dos Jogos pior porque os atletas demoram muito tempo a recuperar. Tivemos dois casos de nadadores já com mínimos para os Jogos que tiveram uma recuperação difícil. Trabalho muito duro e sinto que uma infeção dessas pode fazer-me recuar vários passos.

R - O Comité já falou sobre isso com vocês?

TH – Está a ser um trabalho desenvolvido nesse sentido. Há a questão ética, é compreensível. As pessoas podem pensar que nós não estamos na zona de risco. Mas os qualificados são 56 e os que estão perto dos mínimos nem a 200 chegam. No máximo 200 vacinas. Não é um sacrifício enorme. Tenho a sorte de fazer natação e há estudos que comprovam que o cloro ajuda na eliminação da propagação do vírus. Mas noutras modalidades compreendo a preocupação.

R - Vão ser uns Jogos diferentes em comparação com o Rio...

TH – Em princípio o clima já ia ser diferente porque são dois países completamente distintos. Brasil é aquela festa colorida que nós associamos, enquanto o Japão é mais frágil, mais calmo. O clima já não ia ser igual. Vai ser muito diferente. Vai fazer falta aquela sensação de ter todo o público a olhar para ti. Sentimos falta disso. Vai ter alguma diferença, mas estamos habituados a nadar com ou sem público. É seguir em frente.

R - Está apurada para os 1.500 metros, uma prova muito exigente. Como é que se mantém a concentração ao longo de mais de 16 minutos a nadar?

TH – Nós estamos habituados a passar duas/três horas dentro de água a treinar a um ritmo forte. Por isso 16 minutos nem é mau de todo. Durante a prova temos muito que pensar. Não tens tempo de ligar o piloto automático. Aqui em Portugal vou na frente quase sempre sozinha. Nos Europeus e Mundiais há muitas raparigas de um nível semelhante e por isso vais os 1.500 metros quase sempre acompanhada. Estás sempre a pensar ‘vou acelerar agora?’. Saio da prova cansada fisicamente, mas psicologicamente também é bastante duro.

R - E prefere competir cá em Portugal ou lá fora?

TH – Lá fora é mais engraçado porque é mais competitivo. Aqui em Portugal é mais o problema que se for sozinha é mais complicado manter aquele ritmo forte de prova. Se tiver alguém ao lado tens a tendência a sair da zona de conforto. Sozinha chego ali aos 1.000 metros e tendem a quebrar o ritmo.

R - O que se segue depois dos Jogos Olímpicos?

TH – O plano é entrar na Faculdade de Medicina da Universidade do Minho mal os Jogos acabem. Seria o plano perfeito. Tive de repetir os exames porque passaram da validade. A minha média é bastante boa. Em princípio deve correr tudo bem. Mas neste momento o meu foco é Jogos, Jogos, Jogos.

R -  Quem são os seus ídolos?

TH – Mireia Belmonte. A espanhola. Está a passar por uma fase difícil em termos psicológicos porque já não é nova [30 anos] e custou-lhe aguentar mais um ano a este nível. É um grande exemplo e uma grande atleta.

R - E a Katie Ledecky? Cinco medalhas de ouro olímpicas...

TH – Já foi mais. Admiro-a muito, mas não digo que seja um ídolo para mim.

Por Rafael Godinho
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