Yolanda Hopkins: «Estou pronta para destruir»

Depois do quinto lugar em Tóquio, a surfista já aponta à qualificação para o Championship Tour

• Foto: EPA

RECORD - Antes dos Jogos Olímpicos, era pouco conhecida para o público geral, muitos até deviam pensar: ‘então, mas ela é portuguesa?’ Sente que isso mudou?

YOLANDA HOPKINS – Completamente, assim que voltei dos Jogos Olímpicos, fui para uma praia aqui perto de Sines, os Aivados, costumo ir surfar muito para lá e estava bastante cheia. Cheguei, tentei entrar na água e tive de parar umas quatro ou cinco vezes porque vinham crianças e adultos ter comigo a pedir para tirar fotos e para dar autógrafos. Um Mundo completamente diferente, não estava nada habituada a isso. Estou habituada a estar aqui sozinha, a surfar sozinha. Depois voltei e houve uma grande mudança e ainda não me habituei. Estou ainda a aprender no dia-a-dia.

R - Que realidade prefere?

YH – É difícil escolher. Gosto de estar no meu ambiente mais relaxado, mas também adoro que as pessoas venham falar comigo sobre surf. Dizem que mudei e que dei mais esperanças a Portugal nesta modalidade ou que inspirei uma criança a começar a surfar... Eu trabalho para alcançar os meus objetivos, mas sinto que também estou a criar esses objetivos para crianças que ainda não sabiam que iam querer fazer surf. A modalidade tem cada vez mais visibilidade, fala-se cada vez mais de surf e, agora, fazer parte dos Jogos Olímpicos foi um salto bastante grande. Gosto muito desta atenção que me têm dado.

R - Essa questão do reconhecimento, ou melhor, a falta dele, a falta de apoios, foi o maior desafio da sua carreira?

YH – Sem dúvida. É nisso que tenho vindo a lutar nos últimos anos. Como vivo aqui bastante longe de tudo, tive grandes dificuldades na minha carreira. Estava a ir só com o meu dinheiro, com o que eu fazia ou com a ajuda de amigos ou familiares. Acabo por ir para campeonatos com muito stress, com a pressão de atingir aquele objetivo para receber dinheiro suficiente para conseguir ir para a próxima prova. Era muita pressão e muitas vezes isso prejudicou as minhas performances.

R - Pensou em desistir?

YH – Digo sempre que só vou desistir do surf quando começar a passar fome. Como isso ainda não aconteceu, ainda não me passou pela cabeça. Isto é o que eu gosto e desde há uns anos que sei que é isto que quero fazer para o resto da minha vida. Quem me conhece sabe que não sou de desistir, sou uma lutadora e não é agora que o vou fazer.

R - Há uma Yolanda antes e outra depois dos Jogos?

YH – Sim, agora as pessoas percebem que estou aqui para ficar e que vou atingir os meus objetivos por Portugal. Não sou uma surfista que veio para ficar aqui um ano e ir embora, não, vou ficar aqui nos próximos anos e o Mundo já me começou a ver dessa forma também. Houve vários atletas do Championship Tour a perguntar como é que eu ainda não estava lá... Sim, o Mundo agora está a ver-me com olhos diferentes.

R - Disse logo aos jornalistas portugueses que o seu foco era já Paris’2024. Garantiu mesmo que se vai qualificar...

YH – Sim, isso já está! [risos]

R - Quanto tempo dá até estar lá?

YH – Estou a planear qualificar-me no final deste ano. Já entrei nos challengers, ainda só não estou qualificada num. Estou mais do que pronta, estou ansiosa para ir fazer competições e destruir. Estou a sentir o meu surf muito afinado e estou pronta.

R - No final da carreira, como gostava de ser conhecida?

YH – Como a primeira surfista portuguesa a ser campeã do Mundo.

Por Pedro Filipe Pinto
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