_
Foram apresentadas, esta terça-feira, na Alfândega do Porto, as recomendações do Grupo de Trabalho para a Igualdade de Género no Desporto, criado em julho do ano passado por iniciativa de João Paulo Correia, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. O evento, que contou com a presença de vários dirigentes, políticos e personalidades, entre os quais Fernando Gomes, presidente da FPF, terminou com um discurso de Ana Catarina Mendes, Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares.
Já depois de um painel dedicado ao tema e de Leila Marques, coordenadora do Grupo de Trabalho, ter apresentado as suas conclusões, a governante admitiu que ainda há um longo caminho a percorrer neste âmbito.
"O desafio foi exigente e com pouco tempo. A igualdade no desporto ainda tem um longo caminho a percorrer e este grupo de trabalho é fundamental. Com este estudo estamos a prestigiar e a dar um passo para atingir a igualdade no desporto, mas isso só se cumpre quando homens e mulheres defenderem essa igualdade, em quaisquer facetas da sociedade. Há que combater a desigualdade e este estudo dá-nos instrumentos para promover a igualdade de oportunidades no desporto e representa um marco histórico para o tema, apresentando soluções em tempo recorde à sociedade civil", frisou Ana Catarina Mendes.
Uma das conclusões deste estudo foi a elevada taxa de sedentarismo na população portuguesa, bem como o reduzido número de mulheres em lugares de chefia no desporto, algo que a Ministra dos Assuntos Parlamentares quer ver corrigido. "Temos que estimular a prática de desporto e combater o sedentarismo é um objetivo fundamental. Há também um longo caminho a fazer no dirigismo. Nas dez maiores federações desportivas em Portugal, não há mulheres em altos cargos de dirigismo. Nas 60 maiores federações há três. É importante mudar este paradigma e isso passa pela educação, porque não há desporto de mulheres nem desporto de homens, há apenas desporto. Com este relatório, estamos a construir mais um degrau na escada da igualdade", sublinhou.
No final do evento, em declarações aos jornalistas, Ana Catarina Mendes sublinhou as questões da maternidade e da conciliação entre vida profissional e familiar como fulcrais nesta temática. "Vamos fazendo o nosso caminho. Há hoje muito mais mulheres a praticar as várias modalidades e há várias federações que apostam muito na vertente feminina. Este relatório é uma pedrada no charco para a construção de igualdade no desporto. É preciso que haja respeito pelo direito à maternidade e por isso a licença de maternidade, em qualquer prática desportiva, deve ser assegurada a todas as atletas. É também preciso que a conciliação da vida profissional com a vida familiar também no desporto", finalizou.
Por sua vez, João Paulo Correia deixou vários agradecimentos às várias entidades e personalidades que contribuíram para a realização deste estudo, classificando-o como "um momento histórico e marcante da história recente do desporto em Portugal".
Por Marques dos Santos