_

Campeã espanhola vive drama com paralisia cerebral da filha: «É como se me colocassem uma corda ao pescoço»

1/2

Shella Badaseraye conquistou três medalhas de ouro no último Campeonato Espanhol de Halterofilismo

Shella Badaseraye conquistou três medalhas de ouro no último Campeonato Espanhol de Halterofilismo e atravessa um momento delicado, agravado em grande parte pela doença da filha, Anahí, de 14 anos, que sofre de paralisia cerebral e tem 98 por cento de deficiência. Shella está obrigada a encontrar uma nova casa, após ter recebido uma carta do tribunal com ordem de despejo que entra em vigor a 26 de janeiro. O senhorio queria aumentar a renda de 550 para 700 euros, mas Shella comunicou que não podia aceitar esse aumento e continuou a pagar o mesmo valor. 

"Entrei em contacto com uma assistente social e ela deu a hipótese de ir para um abrigo. Não estou a pedir um apartamento grátis, mas sim uma renda acessível. Não vivo de ajudas, trabalho e acredito que a menina e eu merecemos uma casa. É como se me colocassem uma corda ao pescoço e eu tivesse que decidir entre a saúde da minha filha e uma casa", assume Shella, que começou a trabalhar o corpo há mais de 13 anos, precisamente por causa da doença da filha. Só em terapias são necessários 800 euros, ainda que Shella receba 350 euros mensais de ajuda mas esse valor "vai todo para remédios, fraldas e educação especial". 

PUB

Com apenas 8 meses, Anahí sofreu um ataque epilético que quase lhe custou a vida e acabou por ser decisivo no trajeto desportivo e profissional da mãe. "Nessa altura ainda não tinha diagnóstico e eu pesava 100 quilos. Morava num 3.º andar sem elevador, tive um ataque de ansiedade, não soube como reagir e tive que pedir ajuda a um vizinho. Decidi que me cuidaria fisicamente para que se voltasse a acontecer eu tivesse que correr com ela. Se continuasse como estava não poderia cuidar da minha filha", aponta Shella, que começou por praticar CrossFit e passou depois para o halterofilismo.

Anahí precisa de ajuda permanente e a paralisia foi diagnosticada muito tarde, fruto de negligência médica na fase final da gravidez. "Foi engano após engano. Quando a menina tinha três meses, eu já sabia que havia algo de errado com ela, mas nos exames os médicos diziam que eu era paranóica. Vi que ela não conseguia segurar a cabeça, era como um pudim. Não reagia aos estímulos como outras crianças", aponta Sella, que logo nessa fase deixou o emprego na hoteleira, onde tinha que dobrar turnos para sobreviver, e abriu o seu próprio centro de treinos em Palma de Maiorca.

Por André Antunes Pereira
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Fora de Campo Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB