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Os dois sismos que atingiram a Venezuela, de magnitude 7,5 e 7,2 na escala de Richter, com apenas 32 segundos de intervalo, causaram pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos, segundo revelou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que admitiu esperar mais vítimas. O Serviço Geológico dos EUA estima entre 10 mil e 100 mil mortos.
"Neste momento, temos relatos de 32 mortes, sem incluir os números que o estado de La Guaira possa fornecer, e mais de 700 feridos que estamos a receber nas urgências dos hospitais públicos e centros de saúde privados", declarou Rodríguez, numa declaração transmitida pela emissora estatal Venezolana de Televisión.
A chefe de Estado disse que La Guaira terá sido a região mais afetada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma "zona de desastre".
A presidente cancelou ainda todas as atividades que não sejam "serviços essenciais" e indicou que houve interrupções nos serviços de eletricidade e água e, nos edifícios danificados, o fornecimento de gás natural foi cortado.
"Pedimos à nossa população que mantenha a calma", disse a chefe de Estado. "Pedimos à união", acrescentou.
Centenas de funcionários de equipas de salvamento, agentes da polícia e unidades caninas estão a realizar trabalhos de busca e resgate de pessoas afetadas. Segundo as autoridades locais os abalos provocaram o colapso total de pelo menos cinco edifícios em Caracas, quatro deles no leste, e outro nas proximidades do centro da capital.
Em Chacao, no leste de Caracas, um município onde reside um importante número de portugueses, o presidente da Câmara Municipal, Gustavo Duque, confirmou aos jornalistas que “quatro edifícios ruíram e outros seis apresentam danos consideráveis nas estruturas” nas urbanizações de Los Palos Grandes, Altamira e Bello Campo.
“Temos mais de 500 funcionários a realizar os trabalhos de resgate nas quatro estruturas que ruíram neste município”, disse Iván Duque precisando que ruíram os edifícios Petúnia, Don Pepe, Altamira Village Hotel & Suite e um outro localizado em Bello Campo.
Segundo Iván Duque, “de momento foram resgatadas, com vida, 18 pessoas”.
Em vários setores do município, por questões de segurança foi restringido o acesso aos jornalistas e a residentes, em particular nas proximidades de edifícios com danos nas estruturas.
Por outro lado, ruiu o edifício Marován em San Bernardino, no centro de Caracas, localidade onde vários imóveis teriam sofrido danos importantes.
Ainda em Caracas, em Las Delícias, caiu parte da cerâmica das paredes de La Rosita, uma conhecida padaria portuguesa. Mesmo em frente, caíram as paredes de um apartamento, deixando visível o seu interior, num edifício em que uma grande greta levanta questionamentos sobre a segurança dos residentes.
Delcy Rodríguez, declarou o estado de emergência nacional e pediu aos médicos, enfermeiras e trabalhadores da área de saúde que acudam aos seus sítios de trabalho para atender emergências.
Por outro lado, anunciou o encerramento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, o principal do país, que serve a capital, devido a “graves danos na sua infraestrutura” e suspendeu as aulas nas escolas do país.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que Washington irá “enviar imediatamente equipas de busca e salvamento, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela”.
Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o secretário de Estado norte-americano acrescentou que "os Estados Unidos estão ao lado do povo venezuelano nestes tempos difíceis".
A garantia de Marco Rubio surgiu horas depois do Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que o país estava pronto para enviar ajuda à Venezuela, acrescentando que os primeiros relatos sobre as consequências "não são bons".
"Os dois grandes sismos que acabaram de atingir o nobre povo da Venezuela são de uma enorme magnitude e deixaram um número devastador de mortos. Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos a ajudar!", disse Trump, numa mensagem na rede social que detém, a Truth Social.
"Instruí todas as agências do nosso Governo a prepararem-se e a agirem rapidamente. Estaremos lá para os nossos grandes novos amigos. Os primeiros relatos não são bons!", concluiu Trump.
O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, por sua vez, "preocupação e consternação" com os efeitos dos sismos que atingiram a Venezuela e garantiu que está a avaliar medidas para apoiar a nação caribeana.
Numa mensagem publicada nas redes sociais na quarta-feira, Lula informou que instruiu o Ministério das Relações Exteriores, juntamente com a embaixada brasileira em Caracas, para avaliar a situação na Venezuela e as possíveis ações de ajuda que o Brasil poderia tomar.
O chefe de Estado reafirmou ainda a disponibilidade do país para apoiar o governo da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez na recuperação das áreas afetadas.
Nas últimas horas, a Bolívia, El Salvador, Peru e Chile também manifestaram a solidariedade.
Delcy Rodríguez expressou gratidão aos Brasil, Estados Unidos, Panamá, Qatar, Cuba, Nicarágua, Turquia, Jordânia, Barbados, Curaçau, Colômbia, Reino Unido e México, que "contactaram a Venezuela para oferecer solidariedade e apoio".
Rodríguez agradeceu ainda à ONU e a organizações financeiras multilaterais, sem especificar quais, que "já contactaram o Governo venezuelano através de vários canais para expressar a sua solidariedade".
Vários portugueses disseram à Lusa estar a tentar ultrapassar o grande susto dos abalos. “Estamos a tentar deixar de tremer do susto. Foi um sismo intenso ou muito forte e de grande duração, parecia que não iria terminar nunca. Ainda estamos preocupados com eventuais réplicas”, explicou um comerciante à Agência Lusa.
José Gonçalves, estava em casa, em Caracas, em La Campiña, quando sentiu que o sofá estava a tremer e pouco depois toda o apartamento, antes de ficar sem eletricidade. “Foi o tremor mais forte que senti até hoje, ainda sinto o corpo a tremer do medo. Os jarros e todas as coisas que estavam em cima do móvel caíram, estão em pedações no chão”, explicou.
Apesar das dificuldades nas comunicações, vários portugueses explicaram telefonicamente à Lusa, que o sismo foi sentido fortemente também em localidades como Valência, 150 quilómetros a oeste e Higuerote, 120 quilómetros a leste da capital.
Segundo Matilde Freitas várias réplicas foram sentidas, tendo várias zonas de Higuerote ficado sem eletricidade e sem telefones, e que algumas pessoas saíram dos edifícios a chorar com medo.
Ainda em Caracas, o venezuelano Juan Carlos Garcia Pérez explicou à Lusa que “estava deitado a ver televisão e de repente a cama começou a abanar. Levantei-me e poucos segundos depois começou a tremer muito brusco, mais forte”. “Olhei janela para ver outros edifícios e estavam a tremer. Fiquei sem saber se esperar que tudo passasse ou descer para a rua de uma vez”, frisou.
Seguro mostra-se preocupado
O Presidente da República, António José Seguro, manifestou consternação pelo sismo que atingiu a Venezuela e está a acompanhar a situação. Numa nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado "manifesta a sua profunda consternação perante o forte sismo que atingiu a Venezuela" e refere que "acompanha, com preocupação, os desenvolvimentos da situação".
"Neste momento ainda de incerteza, dirige ao povo venezuelano, aos portugueses aí residentes e às autoridades da República da Venezuela uma mensagem de solidariedade e esperança", lê-se na mesma nota.
Com Lusa
Por Sábado