João Aguardela morreu ontem aos 39 anos no Hospital da Luz em Lisboa, vítima de cancro.
Aguardela fundou os Sitiados corria o ano de l987, um grupo que combinava a música tradicional com rock ou pop, algo que nunca abandonou, tanto com o Megafone como na Naifa.
Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, lembra os primeiros tempos dos Sitiados. “Tiveram uma entrada de rompante e foram uma lufada de ar fresco”, diz, ao mesmo tempo que recorda alguém que “era entregue à causa” da música e que, em palco, era um “frenesim, aquilo a que se chama um animal de palco”.
“Deixa um grande legado para a música portuguesa”, afirma Carlos Moisés, cantor dos Quinta do Bill, que gravaram com Aguardela o tema Senhora Maria do Olival, no álbum Filhos da Nação.
“Teve um percurso singular, experimentando música tradicional portuguesa com outras roupagens. Tinha paixão pelo tradicional, mas vivência urbana”, diz, lembrando que quando começou Aguardela tinha 17 anos: “Era o mais novo de nós. Tinha um lado interventivo, inconformado.”
Em 1992, os Sitiados editaram o álbum homónimo de estreia com o tema "Vida de marinheiro" a ter enorme sucesso, conseguindo que o grupo vendesse cerca de 40 mil exemplares. Quem não se lembra da cabana do pai Tomás? O segundo álbum, "E Agora?", foi editado no ano seguinte e em 1994 a banda integra o tributo a José Afonso, a colectânea Filhos da Madrugada. O "Triunfo dos Electrodomésticos", em 1995, Sitiados, em 1996, e "Mata-me Depois", em 1999, foram os álbuns que se seguiram.
O seu projecto solitário, Megafone, veio para os escaparates com o álbum homónimo em 1997, numa selecção de electrónica com as recolhas etnográficas, de José Alberto Sardinha e Michel Giacometti, de cantos tradicionais. Aguardela acreditava, ainda antes de ser comum, que era possível lançar discos à revelia das editoras.
“Às vezes sinto que sou tradicional demais para o meio pop e que sou pop demais para o meio tradicional”, disse ao jornal Público em 1997, a propósito do Megafone.
Paralelamente, criou em 2002, na companhia de Luís Varatojo e uma série de vocalistas convidados, o projecto Linha da Frente, na tentativa de musicar poetas. Entre essas vozes estava a de Viviane (ex-Entre Aspas) que recorda que “tinha uma forma inovadora de fazer música”, realçando que “deixa um vazio difícil de preencher porque associava, como ninguém, a cultura portuguesa com coisas recentes”. Como resultado, nasce em 2004 A Naifa, mais uma vez com Luís Varatojo, editando três álbuns.
“Se gostava que Portugal fosse diferente? Sim, gostava, não me contento com o que é!”, disse em entrevista ao Público há dois anos.
Até já, João.
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