O antigo primeiro-ministro, José Sócrates, regressou esta quinta-feira a tribunal no âmbito da Operação Marquês. Foi o próprio que pediu para ser novamente ouvido, um ano após as últimas declarações. Em causa estão três crimes de corrupção, seis de fraude fiscal e 13 de branqueamento de capitais, totalizando 22 crimes pelo quais o antigo primeiro-ministro responde. Entre os arguidos está também o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, acusado de 11 crimes de corrupção ativa e de branqueamento de capitais, assim como Carlos Santos Silva.
Sócrates iniciou as suas declarações a afirmar que considera existirem divergências e "um conflito" com o tribunal, já que "há uma falsa acusação há doze anos", acusando-o de violar os seus direitos. Já a juíza considerou que o tema abordado por Sócrates não é objeto do processo, solicitando que o mesmo apresente factos. "Vou deixá-lo falar, mas vou ter isso em conta", disse a juíza.
O ex-primeiro-ministro continuou: "Esta acusação em 2024 foi alterada, duplicaram a moldura penal. Transformam os crimes prescritos, em não prescritos. Falam de lapso de escrito, mas isto é uma violência, basta olhar para perceber que não há lapso, quiseram fazer acusação de corrupção".
Continuando a abordar o que dizem ser "mais divergências", Sócrates trouxe o nome de Ricardo Salgado para a sessão. "Julgar um demente é cobarde", atirou Sócrates. "Julga alguém que está ausente. A covardia de tudo isto. Não só do Estado, de todos em volta, que se calam sobre isto". "Vale tudo", apontou. "Não quero participar nesta coligação de silêncio. Quero ficar fora desse filme, e de outros." Leia o artigo na íntegra no Correio da Manhã.