Em casa com seis filhos? A família Soares mostra como se faz

A viver em Praga há seis anos, estes portugueses abrem a porta de casa e explicam as rotinas

Nuno e Sara são dois portugueses que vivem em Praga há seis anos. A fé levou-os para a República Checa, mas não foram sozinhos. É que o casal tem seis filhos – já os apresentamos! – que vão dos 14 anos aos 14 meses, faz ‘homeschooling’ e, tal como o resto do Mundo, está por casa durante estes dias. A primeira reação é pensar que Nuno e Sara devem estar à beira de um ataque de nervos com os seis filhos em casa, mas aí está um remate completamente ao lado. Não acredita? Então acompanhe-nos pela rotina que os Soares partilharam com Record! Nós fizemos as perguntas e o casal respondeu em conjunto, mas os miúdos também tiveram uma palavra a dizer. Já vê no final!

Família Soares

"A nossa rotina é dividida em duas partes: os dias de semana e os fins de semana. Durante a semana, iniciamos o dia com o pequeno-almoço seguido de uma pequena meditação de um texto bíblico e oração. Depois, entramos no ensino doméstico. As mais velhas são muito autónomas pelo que dedicamos quase toda a atenção aos mais novos. Interrompemos para o almoço e, geralmente, os pequenos ficam por aí, com a tarde toda para brincar. As mais velhas seguem trabalhando pela tarde. Jantamos por volta das 19 horas e depois é tempo de se prepararem para dormir. Terminamos sempre o dia com uma leitura bíblica ou de algo interessante e oramos pelos nossos queridos e por pessoas do nosso círculo que estão doentes", começam por contar-nos, antes de detalharem os fins-de-semana inegociáveis: "Seguimos aquilo a que chamamos as tradições Soares. No sábado, brunch de ‘English Breakfast’ e, no domingo, ‘Panquecas ou Crepes’ com tudo a que temos direito. Os miúdos adoram e ai de nós quando tentamos mudar. Geralmente, eles podem ver um filme que gostem ou a sua série preferida de desenhos animados. Quando está bom tempo, passeamos pela floresta ou vamos de carro conhecer algum lugar novo", acrescentam

Nuno e Sara têm a família completa pela Joana (14 anos), pela Júlia (11), pela Luísa (8), pelo José (6), pela Teresa (5) e pela pequena Vitória (1). Curiosamente, não têm televisão em casa e é aqui que começam os conselhos que podem ser aproveitados por muitas famílias. "É verdade, não temos televisão, mas não estamos isolados dos écrans, porque temos Internet. Talvez a solução não seja calar as crianças mas estimular nelas a imaginação que é uma das melhores ferramentas que elas possuem. Por exemplo, neste momento, o nosso ‘escritório’ está invadido por uma quinta de animais Playmobil, uma esquadra de polícia e um quartel de bombeiros. Depois há o Lego, os livros, as aguarelas, as bonecas, os puzzles, os jogos de mesa e por último, as tarefas de casa. Temos ainda a vantagem adicional de viver num parque natural e eles poderem sair lá para fora, o que entendemos como um ‘luxo’ nos dias que correm", destacam, referindo a importância de tirar dos pais o rótulo de ‘artistas de circo’ para entreter os filhos, especialmente na quarentena.

Uma família unida

"Sem dúvida. Porém, a questão não é tão simples quanto parece. Os pais, enquanto prestadores de cuidados e educadores, devem dedicar atenção aos seus filhos, nas diversas áreas da vida. Não há outra forma de ‘criar’ os filhos de forma equilibrada. Alguns pais lutam com esta realidade pois acham que os filhos lhes roubam tempo, melhor, o tempo para as suas próprias atividades. Aqui, é preciso relembrar que a relação pais-filhos não é mecânica na sua essência, é feita de vínculos de amor. Se os vínculos não existirem, as crianças entram em descompensação e exigem muito mais atenção dos pais. Crianças com vínculos fortes serão mais autónomas e capazes de produzir o seu entretenimento, se lhes for dedicado o tempo e o investimento relacional devidos e na altura certa", apontam.

A ajuda do ensino doméstico

Mesmo com uma rotina dinâmica e que já corre de forma natural, claro que há desafios. "O principal, agora e sempre, é conseguir conjugar as necessidades de 6 crianças em níveis diferentes de aprendizagem. A nossa filha mais velha tem 14 anos e a mais nova 14 meses. Como referimos anteriormente, os mais novos requerem muita atenção e é difícil atender a todos em simultâneo", dizem Nuno e Sara, antes de lembrarem a ajuda que o ensino doméstico dá nesta altura. "Certamente, mas como pouco ou nada mudou na nossa rotina é natural que assim seja. Sabemos que para outros pais as coisas estão mais complicadas, por terem o teletrabalho e as crianças cheias de tarefas da escola em simultâneo, e isso ser algo novo para eles. Pela nossa experiência, sabemos que é um equilíbrio difícil de manter e queremos encorajar e animar a todos", apontam.

Em nenhum momento, Nuno e Sara – para falar um pouco de desporto, sabemos que esta família é fã do Bohemians, pequena equipa de Praga! – aceitam mérito pelos filhos que têm. Eles explicam. "Nós pensamos que todos os pais (salvo raras exceções) se sentem abençoados pelos seus filhos. Por eles serem quem são: as suas idiossincrasias, as suas personalidades, a beleza das suas almas. Isso não é fruto do nosso investimento neles. É-lhes intrínseco. Já o ajudar em casa e outros aspetos relacionados são resultado da nossa disciplina, ou seja, da intencionalidade com que os educamos", garantem.

Logo no início do texto, referimos que foi a fé cristã que levou a família Soares a mudar-se para Praga. E é também essa fé que os ajuda a estar calmos, mesmo com desafios pela frente. "A situação que se vive atualmente com o fenómeno do coronavírus apanhou toda a gente de surpresa, incluindo os cristãos. Já as contrariedades por ele causadas fazem parte da vida normal, como sejam a morte, a perda de empregos, o isolamento social, o medo e por diante. Para nós, a Fé em Jesus Cristo é onde encontramos resposta para esses dilemas. E é essa mesma Fé que nos ajuda a responder positivamente agora. E sim, estamos calmos, apesar de a crise nos estar a colocar alguns desafios", rematam.

Palavra aos filhos!

Como prometido, não podemos terminar esta viagem a Praga sem o testemunho dos mais novos. Desafiámos a que nos contassem quais são pontos positivos e negativos da quarentena e, como é evidente, só a pequena Vitória é que ainda não conseguiu responder.

Joana - 'Tenho tempo para outras atividades' / 'Não posso ir à dança nem ao piano, nem estar com os meus amigos'

Júlia - 'Podemos passar mais tempo em família' / 'Não podemos ir à dança nem chegar perto dos nossos amigos'

Luísa - 'Tenho mais tempo para ler os meus livros preferidos' / 'Não posso ir brincar a casa dos meus amigos'

José - 'Poder brincar com Playmobil e jogar' / 'Não poder abraçar os meus amigos nem estar junto a eles'

Teresa - 'Encontrar jogos de consola antigos' / 'Não poder sair de férias'

Por Pedro Gonçalo Pinto
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