Acordo do Brexit está praticamente morto

Imprensa internacional cita fontes do governo britânico que dão conta de negociações cada vez mais frias

Angela Merkel Boris Johnson
Angela Merkel Boris Johnson

A saída do Reino Unido da União Europeia com acordo parece estar praticamente fora de questão. A imprensa internacional dá conta de negociações cada vez mais frias e difíceis, quase abortadas, a menos de um mês da data marcada para o Brexit. O Financial Times cita uma fonte do Executivo britânico que diz que "o acordo foi pelo cano abaixo".

Segundo a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg, que cita fontes do governo britânico não identificadas, o primeiro-ministro Boris Johnson falou esta manhã com a chanceler alemã Angela Merkel. A conversa terá sido clarificadora e Merkel terá dito a Johnson que ou a Irlanda do Norte se mantém na união aduaneira, ou um acordo de saída será "completamente improvável". Do lado britânico, Boris Johnson terá sublinhado que o novo acordo que apresentou é razoável e que esta exigência é "essencialmente impossível".

O Financial Times confirmou junto do governo alemão a realização da conversa, mas fonte oficial do Executivo de Merkel recusou falar sobre o seu conteúdo. Disse apenas que a Alemanha continua empenhada em encontrar um acordo.

Do lado do Executivo britânico, contudo, o FT adianta mais pormenores, citando fontes anónimas. "Merkel disse que se a Alemanha quisesse sair da UE, podiam fazê-lo sem problema, mas o Reino Unido não pode sair sem deixar a Irlanda do Norte para trás, na união aduaneira, em alinhamento total para sempre", disse a fonte aliada de Boris Johnson, começando já a ensaiar um jogo de culpabilização. O acordo foi "pelo cano abaixo", disse a mesma fonte.

O objetivo britânico será mostrar que seja com este governo, seja com outro qualquer, nunca será possível um acordo com a União Europeia, por causa da Irlanda do Norte. Arlene Foster, líder do partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte concretizou a ideia: "Os comentários de Merkel revelam o objetivo real de Dublin na União Europeia", disse, citada pelo FT. "Exigir ao Reino Unido que deixe uma parte do seu território numa organização estrangeira da qual o Reino Unido não será mais parte, e sobre a qual não teremos nada a dizer, é para lá de absurdo. Nenhum governo do Reino Unido poderia aceitar tal concessão", argumentou. 

As negociações estão assim perto de colapsar e o acordo praticamente morto.

Entretanto, tanto a RTÉ, rádio e televisão irlandesa, como o FT, adiantam que Boris Johnson está já a fazer pressão junto de vários Estados-membros para que recusem qualquer pedido de adiamento do Brexit, indicando que não estará disponível para continuar a negociar. A estratégia foi revelada numa nota, publicada pela revista Spectator.

Boris Johnson sempre foi contra o adiamento do Brexit, mas o parlamento britânico aprovou legislação que o obriga a escrever uma carta à União Europeia a pedir um adiamento da saída, caso não haja acordo até 19 de outubro. Johnson diz que vai cumprir a lei, mas também diz que não haverá adiamentos.

A estratégia passará por pressionar os países a recusarem esse pedido: terá feito saber que se a União Europeia tentar reter o Reino Unido, haverá consequências na cooperação em matéria de Defesa e Segurança. Já os países que recusarem o adiamento serão favorecidos nestes capítulos.

Por Negócios
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