António Costa admite "fase ascendente" da pandemia mas recusa confinamento geral

Primeiro-ministro afastou ainda o cenário de demissão em caso de chumbo do OE2021


António Costa está a dar uma entrevista à TVI em que deixou vários recados a Bloco de Esquerda e PCP, parceiros na geringonça, sobre o Orçamento do Estado para 2021. 

"As contas são muito simples. O PS sozinho tem mais 22 deputados do que toda a direita junta. Só se o PCP e o BE somarem os seus votos à direita é que o orçamento chumba. O limite é quando o equilíbrio entre a receita e a despesa se tornar insustentável. Governar em duodécimos? Não quero contribuir para uma crise política no meio desta crise pandémica", afirmou o primeiro-ministro. 

Costa afasta ainda o cenário de demissão em caso de chumbo do OE2021. "Não viro as costas ao país. Estamos focados na crise da pandemia e na crise económica que a pandemia criou e que causou uma crise social muito grande."

O primeiro-ministro considerou "impensável recorrer a um confinamento geral", apesar da "fase ascendente" da pandemia. "Nenhum epidemiologista consegue prever quando vamos atingir o pico."

Costa alertou ainda para o "custo social imenso" das medidas de confinamento geral ou recolhimento obrigatório. "Temos tido uma prática de fazer uma avaliação quinzenal da pandemia. Desde meados de agosto que tem havido uma subida crescente da pandemia e passámos do estado de alerta para estado de calamidade. Muitas das novas infeções acontecem em festas, casamentos e batizados. Temos vindo a correr atrás do prejuízo porque temos vindo a ser apanhados de surpresa perante um vírus desconhecido. Ainda há imensa incerteza. É difícil desenhar medidas. Os governos têm procurado reagir."

Sobre o Novo Banco, António Costa garantiu que "não haverá nenhum cêntimo dos contribuintes para o Fundo de Resolução". 

O primeiro-ministro excluiu ainda a hipótese de entrar em estado de emergência. "Tudo depende de um número de fatores. Temos mais casos do que em abril, mas há menos internados."

Costa sustenta que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda não está sob pressão. "Temos taxa de ocupação de UCI para Covid de 66%. Temos mais 500 camas de UCI para Covid e ainda podem chegar às 700 sem afetar atividade programada ou às 900 já afetando a atividade programada. Temos de responder ao Covid e recuperar a atividade presencial do período pré-Covid."

Por Sábado
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