António Costa pede que "não haja ilusões" sobre o incêndio de Monchique

Primeiro-ministro diz que este fogo "é a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias"

António Costa
António Costa • Foto: Vítor Mota

O primeiro-ministro, António Costa, apelou a todas as populações que respeitem o que lhes é pedido pelas autoridades que estão a combater os fogos. "[Estas] não estão a violar a Constituição nem a lei, estão a assegurar o bem mais precioso que é a vida. É irresponsável qualquer apelo a que as populações não sigam as indicações das autoridades", defendeu durante a conferência de imprensa da Autoridade Nacional de Protecção Civil, esta terça-feira, em que marcou presença.

Para o chefe do Executivo, o menos número de ignições está relacionado com o "grande esforço que os portugueses em geral tiveram" na prevenção dos incêndios. "Valeu a pena a prevenção", reforçou, considerando que se nada tivesse sido feito, tudo teria corrido de maneira diferente: "seguramente com a vaga de calor que tivemos, teríamos mais do que as 581 ocorrências, mais do que estes 26 incêndios e mais graves".

Apesar de considerar ser "cedo para um balanço", Costa defende que a existência de apenas um incêndio de grandes dimensões, em Monchique, "demonstra que o sistema respondeu ao desafio que estava colocado".

Aos jornalistas, Costa admitiu ainda que serão precisos mais dias para apagar o incêndio no concelho algarvio, pois as oportunidades de "combate efectivo" são muito reduzidas. "Não vale a pena ter a ilusão de pensar que este incêndio será apagado nas próximas horas. As condições serão adversas, do ponto de vista de temperatura, de velocidade do vento e de humidade relativa, explicou, acrescentando que .um "trabalho de contenção é o que está a ser feito e pode ser feito".
"Por circunstâncias próprias, que têm a ver com a dificuldade do terreno, situações climatérias, composição da floresta do local e outros factores que poderão vir a ser apurados depois, [o incêndio em Monchique] é a excepção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias", acrescentou o chefe de Governo.

Antes de Costa falar, o comandante nacional de operações da Protecção Civil, Duarte da Costa, revelou que foram "aumentados os estados de alerta" tendo em conta as previsões de temperaturas altas para os próximos dias. Sobre Monchique, Duarte da Costa assegurou que a ANPC está a "fazer tudo o que é possível para o conter".

O incêndio rural deflagrou na sexta-feira à tarde em Monchique, no distrito de Faro, e lavra também nos concelhos vizinhos de Portimão e Silves.

Segundo um balanço feito na manhã desta quarta-feira, há 32 feridos, um dos quais em estado grave (uma idosa internada em Lisboa), e 181 pessoas mantêm-se deslocadas, depois da evacuação de várias localidades.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram mais de 21.300 hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência directa do comandante nacional da Protecção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

Autor: Sábado

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