Apostas em videojogos: nova moda gera desconfiança

Conheça a opinião e as sugestões de quem trabalha neste mercado

• Foto: Santa Casa

O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa organizou em Lisboa Seminário de Apostas Desportivas, com a colaboração da Corporação Ibero Americana de Lotarias e Apostas de Estado (CIBELAE), onde foram debatidos durante dois dias os temas mais pertinentes da actualidade do mundo das apostas, que está a aumentar cada vez mais em todo o Mundo e, em especial, em Portugal.

Um dos assuntos do momento no mundo das apostas é o crescente aumento de interesse dos utilizadores no eSports. E o que pensam os especialistas deste tema, do facto de cada vez mais pessoas apostarem neste tipo de jogos virtuais, como por exemplo FIFA, Counter-Strike ou League of Legends?

Brais Pena, gerente do serviço ao cliente da empresa GLI (Gaming Laboratories International), não tem dúvidas de que é preciso encontrar uma legislação que ajude todos os operadores a uniformizar as regras desta nova vertente das apostas. "Na minha opinião é necessário que os principais agentes criem uma regulamentação para o eSports e... de forma rápida, porque é um fenómeno que, convenhamos, chegou para ficar. Mas qual o primeiro passo rumo à legalização desta forma de apostar? Têm de criar uma federação. Se querem ser vistos como um desporto têm de pertencer a uma federação. Dou o exemplo do Xadrez. Ninguém vê os jogadores a correrem mas têm uma federação e é uma modalidade, um desporto", sugeriu o espanhol.

Anders Frigen, do IGT, tem uma visão mais negativa. "Sinceramente estou dividido em relação a este tópico. As apostas no eSports convidam à fraude e ao comportamento fraudulento, que é aquilo que todos os agentes das apostas tanto trabalham e lutam para combater. É uma área onde não existe regulamentação fixa. Sou pessimista… quando se aposta, por exemplo, num jogo de futebol virtual entre duas pessoas distantes, não me parece a situação mais transparente", comentou Frigen.

O terceiro elemento deste debate, o vice-presidente de Desenvolvimento Comercial da INTRALOT Marios Mitromaras, concordou com o quadro apresentado pelo seus colegas de mesa, fazendo apenas um acrescento. "Não tenho muito mais a acrescentar ao que foi aqui dito, sendo que é uma nova realidade a que todos teremos de nos adaptar. É um tipo de apostas que estão a crescer em vários pontos do planeta e nós, agentes deste negócio, temos de encontrar formas e estratégias de proteger cada vez mais o utilizador", afirmou o grego.

Este é um assunto na ordem do dia e que tem levantado algumas questões. Confira de seguida a explicação da advogada Soraia Quarenta sobre os eSport:

eSports: O que são?

Os eSports consistem numa estrutura de competições online em que múltiplos jogadores se defrontam em jogos de vídeo, utilizando, para o efeito, plataformas online. A estrutura básica gira à volta de equipas de gaming, publicações, eventos e ligas, sendo que a emissão das competições é o centro da revolução dos eSports, com o Youtube como um dos principais motores, onde milhões de pessoas pelo mundo fora assistem aos eventos.

Os eSports são hoje uma indústria em pleno crescimento, organizada em ligas profissionais e amadoras com audiências na ordem dos 355 milhões de pessoas e uma projeção de lucro de 465 milhões de dólares para o ano de 2017. Dados os números, as maiores marcas mundiais como, a título de exemplo, a Red Bull, a Intel e a Samsung, começaram a ver o potencial de mercado que este sector apresenta e a patrocinar também esta modalidade.

Serão os eSports verdadeiro desporto?

No plano do direito e da regulação, quando falamos de eSports a nível profissional, há equiparação ao desporto tradicional, pois, como em qualquer modalidade desportiva, é necessário elaborar contratos com jogadores, de patrocínio, de direitos de imagem e televisivos e a regulamentação do meio.

E conforme vai crescendo a indústria, vai aumentando o número e complexidade de questões regulatórias e comerciais como as de direitos dos jogadores, apostas desportivas, matchfixing, questões salariais, distribuição de lucros provenientes dos direitos televisivos pelas equipas, matérias disciplinares, federativas e associativas, e, até, doping (tanto mecânico como dos jogadores, com a toma de substâncias que lhes permitam estar despertos e alerta por maiores períodos). Em tudo isto se reveem os eSports no desporto tradicional e dele têm adoptado o modelo para resolução das questões que vão surgindo.

Por Diogo Jesus
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