Bahrein festeja vitória na Copa do Golfo com libertação de 80 menores detidos

Decisão tomada pelo rei Hamad Jalifa depois do Bahrein, equipa treinada por Hélio Sousa, impor-se à Arábia Saudita

• Foto: LUSA / EPA

As autoridades do Bahrein anunciaram este domingo que libertaram das prisões 80 menores que tinham sido "enganados" para cometer os crimes de que são acusados, numa forma invulgar de celebrar a primeira vitória na Copa do Golfo de futebol.

A decisão foi tomada pelo rei Hamad bin Isa al Jalifa depois do Bahrein, equipa treinada pelo português Hélio Sousa, impor-se à Arábia Saudita com um 1-0, alcançando o seu primeiro título na Copa do Golfo desde o início do campeonato, em 1970, informou a Procuradoria Geral da República.

Ao mesmo tempo que a equipa foi recebida em grande estilo no seu regresso do Catar, num dia declarado feriado para todos os funcionários, as autoridades decidiram libertar as 80 crianças que "tinham sido exploradas e enganadas para cometer os crimes", segundo a nota.

A libertação ocorre ao abrigo de uma lei promulgada em 2017 que permite outorgar sentenças alternativas, como cumprir os anos restantes de uma condenação à prisão em liberdade condicional ou fazendo serviços comunitários.

"Embora a libertação antecipada de 80 menores seja um passo positivo, isso não diminui o facto de que o Estado os considera criminosos", alertou Sayed Ahmed al Wadaei, diretor de Defesa do Instituto de Bahrein para o Direito e a Democracia (BIRD, em inglês), com sede em Londres.

Em comunicado, Al Wadaei defendeu que muitos desses menores parecem ter sido condenados por "acusações políticas" e "nunca" deviam ter sido processados, ao mesmo tempo que recordou que "milhares" de presos políticos continuam a definhar nas suas celas após receberem penas "profundamente injustas".

Em relação à lei que permite as penas alternativas, considerou a sua aplicação "altamente discriminatória", uma vez que há casos em que presos políticos com todos os requisitos pediram sem sucesso para recorrer à mesma, entre eles o proeminente ativista dos direitos humanos Nabeel Rajab.

Também foi negado esse direito às presas Hajer Mansoor e Medina Ali, apesar de apresentarem as condições para beneficiarem da legislação, segundo o BIRD.

Por Lusa

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