BCE diz que guerra comercial terá “impacto severo” nos EUA

Donald Trump poderá ter problemas a nível interno, de acordo com o cenário traçado

O feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Para o Banco Central Europeu (BCE), se os EUA avançarem com tarifas unilaterais, o impacto poderá ser "particularmente severo" para o próprio país. Isto num cenário em que as economias afectadas retaliam na mesma moeda com tarifas nas importações norte-americanas. Mas o BCE também admite que o impacto será generalizado e poderá colocar em causa a actual recuperação económica.

O risco de as tensões se transformarem numa guerra comercial "aumentaram claramente". Uma das consequências directas reside nas decisões de investimento, o que irá provar a "resiliência" do actual momento positivo da economia mundial. A análise consta do boletim económico do BCE de Maio, divulgado esta segunda-feira, da autoria da economista Lucia Quaglietti.

Contudo, o Banco Central Europeu também admite, tal como a BMI Research, que o impacto face às tarifas anunciadas para o aço e o alumínio é "modesto". "Visto isoladamente, o impacto directo não deverá ser muito significativo", estima o BCE, referindo que os bens afectados representam "apenas" 2% das importações norte-americanas e chinesas.

O problema está no que vier após esta disputa inicial. O escalar das tensões poderá mesmo "fazer descarrilar" a aceleração económica, ponde em causa a recuperação mundial que ocorre desde a última crise. As simulações traçadas pela equipa do BCE mostram que, na ocasião de haver um aumento significativo do proteccionismo, o impacto económico irá "materializar-se".

"Num cenário em que os EUA aumentem as tarifas nos bens importados e em que todos os parceiros comerciais retaliam de forma simétrica, o resultado será claramente negativo para a economia mundial", considera o BCE, destacando que "o impacto pode ser particularmente severo nos Estados Unidos".

Mas também há quem beneficie desta guerra comercial: "Algumas economias com pouca exposição às tarifas poderão beneficiar dos efeitos da divisão comercial, tendo ganhos de competitividade". Apesar disso, a equipa do Banco Central Europeu ressalva que os impactos específicos em cada país dependerão do "tamanho da economia, o quão aberta está ao exterior e a intensidade comercial com o país que impôs as tarifas".

Autor: Tiago Varzim/Negócios

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