BCE sobe juros pela segunda vez: taxa passa para 2,5%
Decisão já era antecipada pelo mercado face à aceleração da inflação devido à guerra no Irão
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Os juros da Zona Euro vão subir em 25 pontos-base para 2,5%. A decisão foi anunciada esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) e alinha com a expectativa do mercado depois de a inflação ter acelerado novamente em agosto devido à escalada da guerra no Irão.
"O conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas e a inflação deverá permanecer muito acima do objetivo durante um período alargado", justificou o BCE, que atualizou também as projeções macroeconómicas, revendo em alta as estimativas de inflação em 2027 (para 2,5%) e em 2028 (para 2,1%). "As perspetivas mantêm-se extremamente incertas, com riscos em alta para a inflação e em baixa para o crescimento económico", advertiu.
Face a este cenário, o conselho onde Portugal é representado por Álvaro Santos Pereira decidiu aumentar as três taxas de juro diretoras em 25 pontos-base. A taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito sobe para 2,5%, a aplicável às operações principais de refinanciamento para 2,65% e a aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez para 2,9%, com efeitos a partir de 16 de setembro de 2026.
"Com a decisão de hoje, o Conselho do BCE permanece bem posicionado para navegar a incerteza provocada pelo conflito. Seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária", reafirmou ainda o BCE, sublinhando que as decisões "basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária".
O grupo de decisores tem adotado uma postura no sentido de não se comprometer com uma trajetória de taxas específica, mas vários membros tinham já sinalizado que o BCE iria avançar neste sentido - até porque a inflação homóloga acelerou para 3,3% no mês passado.
A maior incerteza prende-se com o que é o BCE irá fazer depois de setembro, com os mercados a apontarem para mais um aumento de 25 pontos-base até ao final do ano. Contudo, a subida desta quinta-feira coloca a taxa no máximo considerado como um nível neutral (entre 1,75% e 2,5%), o que poderá criar alguma oposição para ultrapassar esta marca.