Carnide Clube ganhou batalha mas guerra pela sede no centro histórico continua

Petição contra o despejo já reúne mais de duas mil assinaturas

• Foto: Pedro Simões

A direção do Carnide Clube continua a lutar pela permanência da sede no centro histórico da freguesia, apesar de ganha a batalha pelo estatuto de entidade de interesse histórico, revelou à Lusa a presidente da direção.

"Nós ganhámos uma batalha, mas a guerra não. Ainda temos muito pela frente. Estamos em conversações com o senhorio, mas neste momento não há nada definido", afirmou Tânia Estronca.

O Carnide Clube celebra este domingo 98 anos, através do magusto que tradicionalmente oferece aos sócios e à população, e que será este ano simultaneamente uma oportunidade para comemorar o estatuto de "entidade de interesse histórico e cultural ou social local", o primeiro a ser concedido na capital, e que abriu a possibilidade de renovação do contrato de arrendamento da sede por mais cinco anos.

Apesar da maior abertura mostrada pelo senhorio, as negociações prosseguem, sublinha Tânia Estronca, apelando à assinatura da petição contra o despejo do edifício onde o clube tem sede social desde a fundação, em 1920, que já reúne mais de duas mil assinaturas.

"Apesar de termos os cinco anos [proporcionados pelo estatuto] e de estarmos a procurar um consenso com o senhorio, nunca se sabe se não poderemos precisar, e quantas mais assinaturas tivermos, melhor", afirmou.

Escusando-se a adiantar mais pormenores sobre as negociações com o senhorio, Tânia Estronca vincou que a "identidade do clube está ligada a Carnide, foi fundado por carnidenses" naquele local, é ali que realiza o arraial nos santos populares e que serve a população no dia-a-dia, sobretudo a mais idosa, que faz da sede "um centro de dia alternativo".

"Para nós, o mais importante é manter a sede no sítio onde ela está", vincou.

Os cerca de 700 atletas do clube dividem-se entre o pavilhão do Bairro Padre Cruz e pavilhões de freguesias vizinhas, inclusivamente no concelho da Amadora, para onde se expandiu o projeto social do Carnide, que oferece gratuitamente basquetebol a cerca de 400 crianças.

A construção de um pavilhão foi um dos projetos vencedores do orçamento participativo da Câmara de Lisboa, há dois anos, mas não passou do papel: "Como muitas coisas que Carnide tem ganho em vários orçamentos participativos, estão por cumprir", afirmou.

O Carnide tem uma equipa de basquete feminino na primeira divisão e atletas na seleção nacional em vários escalões daquela modalidade, além do futsal, kickboxing, taekwondo ou karaté.

"Foi uma grande alegria voltar à liga profissional de basquete feminino, mas também acarreta mais dificuldades. Infelizmente, a realidade do basquete não é como a do futebol que, quando há subidas, há prémios monetários. Aqui não, temos de fazer omeletes sem ovos, mas o Carnide consegue sempre dar a volta", disse Tânia Estronca.

A fundação do Carnide foi iniciada em 1916, mas interrompida pelo eclodir da I Guerra Mundial, e é "em memória daqueles que foram para a Guerra e em homenagem à paz" que voltou a ser formado precisamente dois anos após o Armistício, a 11 de novembro de 1920.

"A data não foi escolhida em vão", explicou a presidente da direção.

O magusto de aniversário será uma oportunidade também para o clube agradecer o apoio que recebeu desde que foi conhecida a ordem de despejo do senhorio, expresso pela Câmara de Lisboa, "que foi incansável", aos partidos que receberam os dirigentes do Carnide, que chegou a ser ouvido na Assembleia da República, na comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Por Lusa
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