Coronavírus: Bombeiros Voluntários Portuenses preocupados com falta de material de proteção

Avisam ainda que, sem apoio, não têm capacidade para pagar salários

• Foto: CMTV

Os Bombeiros Voluntários Portuenses temem deixar de poder prestar serviços de emergência por falta de equipamento de proteção individual para o combate à covid-19 e avisaram que, sem apoio não têm capacidade para pagar salários.

Em declarações à Lusa, o comandante dos Portuenses, Joaquim Caldas, garantiu que as dificuldades, nesta altura são muitas. "Eu estou a ficar sem 'stock' [de equipamento de proteção]. Não vou querer dizer que não às pessoas, mas não vou pôr nenhum dos meus operacionais em risco. Neste momento, estes equipamentos eram fundamentais, eu não sei como isto vai ser. Não sei se poderei aguentar a fazer o serviço até domingo", disse.

De acordo com aquele responsável dos 20 bombeiros profissionais que os Portuenses empregam, 14 trabalham diariamente com este tipo de emergência. Com dois tripulantes por veículo, se cada um precisar de "três ou quatro 'kits' [de proteção] por dia", serão precisos oito e os Portuenses só receberam "cinco ou seis 'kits', depois nada mais veio".

"Quem nos está a ajudar é a autarquia. Ainda hoje recebemos máscaras, embora sejam máscaras cirúrgicas. Nós precisávamos de outro tipo de máscaras, 'kits' completos e os fatos para trabalhar", salientou, classificando o momento vivido de "muito preocupante".

Joaquim Caldas revelou que a situação limite levou a corporação a inscrever-se em várias listas de solidariedade para tentar garantir os equipamentos necessários, contudo, até ao momento, o material que vai chegando por parte das autoridades é insuficiente para as necessidades do dia-a-dia.

"Eu sei que o momento não é fácil. Não sou egoísta de olhar só para o meu umbigo. Sei que os profissionais de saúde têm tanto ou mais necessidade do que nós temos, mas também para eles poderem tratar [de doentes], nós também temos de os levar até ao local onde trabalham", apontou.

A este problema acresce o da carência económica. O comandante salienta que sem acesso a linhas de crédito, não sabem como vão pagar salários daqui para a frente. "Vou mandá-los para 'lay-off'? Vou fechar o quartel? Ou sigo só com voluntários", pergunta.

Este mês, a junta de freguesia de Ramalde assumiu já o pagamento de quatro faturas de fornecedores de combustível, oxigénio, máscaras, luvas, entre outros materiais, no valor de 4.848 euros, dos Voluntários Portuenses.

Os Portuenses estão também em conversações com a junta de Paranhos e com a Câmara do Porto para aferir da disponibilidade para ajudar a corporação. "Estamos atados de pés e mãos e o problema não é só os bombeiros, a PSP e a GNR. Vamos fazendo das tripas coração. Estamos a fazer omeletas sem ovos. Não sei como isto vai acabar, porque, se não tivermos o material necessário para atuar em segurança, não podemos ir socorrer os outros", concluiu, sublinhando que "estão a sentir uma grande falta de apoio por parte do Ministério da Administração Interna".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

Em Portugal, registaram-se 60 mortes, mais 17 do que na véspera (+39,5%), e 3.544 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que identificou 549 novos casos em relação a quarta-feira (+18,3%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril. 

Por Lusa
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