Coronavírus provoca "forte redução" da atividade económica em março

Indicadores do INE que avaliam o clima económico e a confiança dos consumidores caíram de forma significativa

A atividade económica em Portugal teve uma "forte redução" em março, com o indicador de clima económico a apresentar a maior queda da série histórica do INE e com a confiança dos consumidores a cair ao ritmo mais elevado desde 2012. 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou nesta segunda-feira a síntese económica de conjuntura, confirmando que a covid-19 provocou uma "forte redução" da atividade económica em Portugal. 

Segundo os números divulgados pelo INE, o indicador de clima económico registou de fevereiro para março "a maior redução da série, atingindo o valor mínimo desde dezembro de 2014". 

Os indicadores qualitativos analisados pelo INE mostram quebras significativas na confiança das famílias e das empresas. Do lado das famílias, a confiança dos consumidores caiu da forma mais acentuada desde 2012 (o pico da crise económica anterior) e o consumo privado registou a redução mais intensa desde 2009 (o ano após a falência da Lehmon Brothers). Os dois indicadores recuaram para níveis de 2013 e 2014, respetivamente.

Também do lado das empresas, a confiança da indústria diminuiu para o valor mais baixo desde outubro de 2013, "devido ao contributo negativo do saldo das opiniões da procura global e sobretudo das perspetivas de produção", explica o INE.

A confiança no setor da construção e das obras públicas também caiu e pela primeira vez desde 2012, interrompendo a tendência de melhoria que se verificava, de forma contínua, desde esse ano. O INE justifica esta queda com uma menor expectativa sobre a carteira de encomendas.

Da mesma forma, também a confiança dos serviços e do comércio diminuíram, atingindo os valores mais baixos desde 2014 e 2013, respetivamente. As empresas destes setores mostram-se preocupadas sobretudo com a evolução da atividade, do volume de vendas e da carteira de encomendas. 

O INE, que normalmente utiliza séries móveis para alisar os dados e encontrar tendências de curto prazo para avaliar a conjuntura económica, usou nesta análise os valores mensais efetivos, dado o impacto "súbito, inesperado e potencialmente severo" da crise provada pela covid-19.

Vendas de carros caem 57,5% e utilização do multibanco desce 17%

Segundo o INE, os números de março sobre as vendas de veículos também mostram uma forte redução: as vendas de automóveis ligeiros de passageiros caíram 57,5% em termos homólogos, as de comerciais diminuíram 51,2% e as de veículos pesados reduziram-se 46,9%. 

Outro indicador que mostra o travão na atividade económica é a redução das operações realizadas na rede multibanco. Em março, o montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais TPA diminuiu 17% em março. "No entanto, esta redução poderá também refletir em parte um maior recurso a outros meios de pagamento eletrónico", admite o INE.

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