Dívida pública atinge máximo ao superar 252 mil milhões de euros em abril

É um novo máximo em termos nominais, mas em percentagem do PIB o endividamento público está a cair

Mário Centeno
Mário Centeno
Mário Centeno

A dívida pública na ótica de Maastricht, a que interessa a Bruxelas, aumentou dois mil milhões de euros em abril deste ano, situando-se agora nos 252,4 mil milhões de euros - o valor mais alto de sempre em termos nominais. Os dados foram revelados esta segunda-feira, 3 de junho, pelo Banco de Portugal.

"Para este aumento contribuíram essencialmente as emissões de títulos de dívida", esclarece o banco central. Em abril, a agência que gere a dívida pública, o IGCP, emitiu obrigações do Tesouro no valor de mil milhões de euros. 
A nota de informação do banco central revela também que a dívida pública pesava 123% do PIB no final do primeiro trimestre deste ano, acima dos 121,5% com que fechou o ano de 2018, mas abaixo dos 125,4% registados no primeiro trimestre de 2018. 

O Banco de Portugal revela ainda que os ativos em depósitos das administrações públicas - a chamada "almofada financeira" - reduziram-se em 300 milhões de euros, tendo ficado pelos 22,4 mil milhões de euros. 

Apesar da subida há quatro meses do valor nominal da dívida pública - que tende a ser maior no início do ano por ser quando o IGCP concentra as idas ao mercado -, o seu peso na economia tem baixado por causa do contributo positivo do crescimento do PIB. A meta do Governo é baixar o rácio da dívida pública dos 121,5% em 2018 para os 118,6% em 2019. Este é o indicador a que estão atentos tanto os mercados como as agência de rating.

Recorde-se que, normalmente, há uma concentração da maior parte das idas ao mercado por parte do IGCP no início do ano para fazer face às necessidades de financiamento das administrações públicas, o que resulta em maiores aumentos do valor absoluto da dívida pública na primeira parte de cada ano.
Além disso, enquanto as administrações públicas registarem défice orçamental, a dívida pública baterá sempre recordes. O ministro das Finanças, Mário Centeno, prevê que isso deixe de acontecer a partir do próximo ano. Portugal tem "condições, a partir de 2020, para que o nível de dívida nominalmente, e não só em percentagem do PIB, se reduza", disse, em abril, à Reuters.

Outro indicador importante para a dívida pública é o seu custo. De acordo com os dados do IGCP, o custo da dívida emitida até abril atingiu um novo mínimo histórico: 1,6%.

Autor: Negócios

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