Estudo: Esforçar demasiado o cérebro pode tirar-lhe anos de vida

A investigação, publicada na revista Nature, sugere que uma atividade neural excessiva está diretamente relacionada com menos tempo de vida

A ideia de que um cérebro ativo está relacionado com melhor saúde e vitalidade é, hoje em dia, quase senso-comum. Mas, e se lhe disséssemos que afinal não é bem assim? Um estudo publicado recentemente na revista Nature identificou uma correlação praticamente oposta a esta. Parece que, afinal, sobrecarregar o sistema nervoso central pode estar relacionado com menos tempo de vida. E que suprimir essa atividade extra pode, pelo contrário, prolongá-la. 

A equipa de investigadores da Harvard Medical School começou por examinar o tecido cerebral de centenas de cadáveres humanos e descobriu que aqueles que viveram até mais tarde, e morreram aos 90 e aos 100 anos, tiveram menos atividade neural que aqueles que morreram mais cedo. Contudo, esta descoberta não era suficiente para provar a correlação. Razão: "À medida que as pessoas envelhecem, os seus cérebros também se tornam mais lentos", explica Bruce Yanker, o co-autor do estudo, à revista Time

Como não era possível chegar a mais conclusões em humanos, os investigadores decidiram estudar a mesma teoria em minhocas - já que a atividade neural destes organismos aumenta com a idade. Quando os cientistas deram medicação às minhocas para atenuar a sua atividade cerebral, isso permitiu-lhes viver mais tempo. Já quando estimulavam os seus neurónios, as minhocas morriam mais rapidamente. Os testes em ratos deram os mesmos resultados. 

Antes desta investigação já existia evidência de que, nos doentes com Alzheimer, há uma atividade neural excessiva no hipocampo, a parte do cérebro onde a doença normalmente se desenvolve. Outro estudo indicou que medicamentos anticonvulsivantes, que suprimem a atividade neural, ajuda a melhorar a memória dos pacientes. 

Uma das formas de combater esta espécie de "sobrecarga" do cérebro - e potencialmente aumentar a longevidade - é adoptar práticas como o ioga ou a meditação, sugerem os autores do estudo.

Por Sábado
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