Família de criança que morreu em piscina deixa acusações ao alojamento

Menino de seis anos estava acompanhado por três adultos que não o conseguiram libertar

A família da criança belga de seis anos que morreu na segunda-feira, depois de ter ficado presa no fundo de uma piscina em Azeitão garante que o menino estava acompanhado quando ficou preso no filtro da piscina.

Num comunicado assinado pelos pais da crianças pode ler-se: "Saltámos todos imediatamente para a piscina para o ajudar, mas era impossível soltá-lo". Segundo o documento, Vic estava a brincar com um amigo quando ficou preso na parte mais funda da piscina, com quase dois metros de profundidade. Os três adultos que estavam junto ao espaço terão saltado para a piscina para socorrerem o menino, mas sem sucesso.

Quando perceberam que não o conseguiam soltar ligaram para o 112, tendo a sua chamada sido "transferida cinco vezes", até que fosse atendida por alguém que dominasse a língua inglesa, informa a família no comunicado citado pelo jornal Público.

Os primeiros a chegar ao local foram os bombeiros e "dois deles tentaram soltar o Vic, sem sucesso". Ao contrário da informação avançada inicialmente por fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, o rapaz ainda estava preso do interior da piscina quando os socorristas chegaram, diz o comunicado.

Os bombeiros ter-se-ão dirigido à "instalação, que parecia estar numa pequena casa na estrada de acesso que se encontrava trancada" e terão arrombado a porta para desligarem o sistema de filtro e conseguirem libertar a criança.

As manobras de reanimação começaram logo a ser feitas, depois do menino ter estado entre 15 e 20 minutos debaixo de água. Foi transportado para o Hospital Dona Estefânia onde viria a morrer, na segunda-feira, dia 23.

"O filtro devia estar tapado! A aspiração era tão forte que ele nunca teve qualquer hipótese... é inacreditável que isto pudesse acontecer quando uma simples tampa o podia ter evitado", acusam os pais da criança que justificam o envio do comunicado citado pelo jornal com a necessidade de "garantir que será levada a cabo uma investigação rigorosa deste caso e que serão tomadas medidas para impedir que esta tragédia aconteça com outra família".
A Procuradoria-Geral da República j]a abriu um inquérito à morte da criança que está a correr no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP).

Leia abaixo o comunicado na íntegra:

Terminaríamos as nossas férias em Portugal na terça-feira, dia 17 de Julho. Passeámos pelo país durante quinze dias com uns amigos nossos e com os seus filhos. Deixaríamos a villa depois de almoço para irmos para o aeroporto e regressarmos à Bélgica. O meu marido saiu de manhã cedo, de carro, para levar as nossas malas para casa.

Vic e as outras crianças brincavam juntos na piscina. A nossa amiga estava sentada junto à piscina e eu estava a preparar a mesa, perto da piscina, com o marido dela. Enquanto o Joris e o Vic davam uns mergulhos, Joris reparou logo que o Vic tinha ficado preso num buraco no fundo da piscina, na parte mais funda da mesma, com pelo menos 1,90 metros de profundidade. Saltámos todos imediatamente para a piscina para o ajudar, mas era impossível soltá-lo. Tentámos repetidas vezes (nas primeiras tentativas, o Vic ainda estava vivo e a mexer-se, a tentar soltar-se)… Eu entrei em pânico porque era evidente que não o conseguíamos tirar, mas continuámos a tentar. Ligámos para o 112, a nossa chamada foi transferida 5 vezes até conseguirmos falar com alguém que falasse inglês. Fomos à procura do quadro de electricidade para desligarmos o filtro, mas não conseguimos encontrar nada de útil no quadro. Ninguém sabia onde se encontrava a instalação da piscina. Eu liguei para a BE@home – empresa responsável pela propriedade Arrábida Country Retreat (Alojamento Local), seleccionada pela nossa agência de viagens – e, ao telefone, gritei que o meu filho tinha ficado preso no filtro e estava a morrer na piscina. Eles disseram-me para permanecer calma e que alguém iria imediatamente (chegaram ao mesmo tempo que os bombeiros). Nada disseram relativamente à instalação que poderíamos desligar…

Nesse momento percebi que não conseguiríamos tirar o Vic sozinhos, enquanto ele continuava no fundo da piscina, já sem se mexer… Eu queria que os serviços de emergência chegassem o mais rápido possível, por isso comecei a correr descalça para a estrada para lhes indicar o caminho. Gritei o mais alto que consegui para que eles me ouvissem e encontrassem o caminho mais facilmente. Os bombeiros chegaram primeiro e dois deles tentaram soltar o Vic, sem sucesso. Começaram à procura da instalação, que parecia estar numa pequena casa na estrada de acesso que se encontrava trancada. Os bombeiros arrobaram a porta, desligaram o sistema do filtro e finalmente conseguiram soltar o Vic. Penso que terá ficado debaixo de água durante 15-20 minutos.
Começaram as técnicas de reanimação e trouxeram-no de volta após 40-45 minutos. Depois dos bombeiros, chegou a polícia e depois disso a ambulância e um carro com o médico de emergência. O Vic foi levado para o Hospital Dona Estefânia onde foi imediatamente recebido pela equipa da unidade de cuidados intensivos pediátricos com carinho e com o melhor tratamento possível. Deixaram claro que o Vic estava gravemente ferido. Prometeram tentar tudo para o trazerem de volta, mas não tinham a certeza se conseguiriam e, caso conseguissem, em que estado se encontraria...mas ele não sobreviveu.

No sábado, dia 21 de julhos, a ressonância magnética demonstrava que o cérebro do Vic estava gravemente afectado, incluindo o tronco cerebral, e tudo apontava para que estivesse em morte cerebral. Segunda-feira, dia 23, morreu nos nossos braços pela segunda vez.

O filtro devia estar tapado! A aspiração era tão forte que não ele nunca teve qualquer hipótese…é inacreditável que isto pudesse acontecer quando uma simples tampa o podia ter evitado…

Emitimos este comunicado para garantir que será levada a cabo uma investigação rigorosa deste caso e que serão tomadas medidas para impedir que esta tragédia aconteça com outra família.

Ansie Van Aerschot
Michael Wanzeele


Autor: Sábado

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