O Governo de António Costa está a gerir com todo o cuidado as viagens de representantes do Executivo a jogos de Portugal no Campeonato do Mundo de futebol na Rússia, que começa esta quinta-feira. A "austeridade" do Governo, divulgada esta quinta-feira pelo Jornal de Negócios, teve origem no Galpgate, em Agosto de 2016.

Divulgado em primeira mão pela SÁBADO, o escândalo revelou que o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo socialista, Fernando Rocha Andrade, aceitou bilhetes para ir assistir aos jogos do Euro2016 em França a convite da empresa, apesar de esta estar em conflito legal com o Governo. Outros dois secretários de Estado foram ao Europeu da mesma forma: Jorge Costa Oliveira, secretário de Estado da Internacionalização e João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria. O caso, que tem 11 arguidos, levou à demissão dos três e ainda do assessor económico do primeiro-ministro, Vítor Escária.

O Governo aprovou, então, um código de conduta que definiu que os membros do Executivo, os membros dos seus gabinetes e os demais dirigentes superiores da Administração Pública devem "abster-se de aceitar a oferta, a qualquer título, de pessoas singulares e coletivas privadas, nacionais ou estrangeiras, e de pessoas coletivas públicas estrangeiras, de bens, consumíveis ou duradouros, que possam condicionar a imparcialidade e a integridade do exercício das suas funções". No mesmo documento, ficou definido um limite máximo anual de 150 euros para o valor dos convites.

Ao Negócios, fonte oficial do Ministério da Presidência e Modernização Administrativa explicou que o código de conduta "se mantém em vigor". A maioria dos ministérios não quis avançar se algum dos seus membros se deslocará à Rússia, mas fontes oficias do Ministério das Finanças e da Presidência garantiram, ao mesmo jornal, que nenhum membro estará presente em qualquer partida.

A política portuguesa estará representada na competição por Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa. O presidente da Assembleia da República vai assistir ao jogo de estreia frente à Espanha, esta sexta-feira. O presidente da República visita a Rússia a 20 de Junho, para ver o Portugal-Marrocos, e o primeiro-ministro vai marcar presença no jogo contra o Irão, a 25 de Junho. Outras viagens podem ocorrer caso Portugal se mantenha na competição.

Autor: C.A.C./Sábado