Grego Esteves aceita convite da RTP após nega de José Eduardo Moniz
JOÃO Grego Esteves, director de informação da RTP, que tem desempenhado, por acumulação, o cargo de director de programação após a demissão de Maria Elisa, vai ser o novo director de antena da estação pública.
Grego Esteves foi convidado segunda-feira ao final da tarde e aceitou o desafio que lhe foi lançado pelo Conselho de Administração da RTP. A decisão, de recurso, encontrada dentro do próprio aparelho da RTP, foi tomada após uma reunião de emergência, na sequência de uma resposta negativa de José Eduardo Moniz.
A notícia do regresso à RTP do actual director da TVI era para ser anunciada terça-feira, no final da Conferência sobre ”Evolução e Tendências do Serviço Público de Televisão”, que decorre na Gulbenkian.
O convite fora feito a José Eduardo Moniz por Brandão de Brito, presidente do Conselho de Administração da RTP, e Arons de Carvalho, secretário de Estado para a Comunicação Social, após o ministro da tutela, Armando Vara, ter divulgado o projecto de restruturação da RTP, no último dia 17. Mas tardou a ter resposta.
Depois de receber o ”não” de Moniz (cerca das 17h) , o Conselho de Administração da RTP reuniu-se para debater a crise e arranjar uma solução (18.30).
Uma solução encontrada dentro do aparelho: da RTP e do PS. O nome de Grego Esteves, que aceitou o convite perto das 19.00 horas, como director de antena da televisão pública deverá ser formalmente anunciado esta terça-feira na cerimónia de encerramento da conferência sobre serviço público.
Grego Esteves, um benfiquista natural de Borba, militante do PS desde 74, vai continuar a acumular os cargos (na programação e informação), mas é natural que constitua uma nova equipa.
O processo de escolha do director de antena da RTP foi iniciado há alguns meses. Começou com um convite a Carlos Cruz feito por José Sócrates, mas posteriormente vetado. Falaram-se noutros nomes – Emídio Rangel terá recebido uma proposta milionária, e José Nuno Martins chegou a ser ponderado. O último foi José Eduardo Moniz, cujo convite levantou de imediato alguma contestação interna. Todos recusaram, entre outro motivos, alegando a falta de condições, o défice de 14 milhões de contos/ano com a produção externa e a necessidade de despedir mais de 600 trabalhadores.
FILOMENA MARTINS