Greve dos motoristas: trabalhadores vão deixar de cumprir serviços mínimos

Pedro Pardal Henriques disse que estão cansados de ser gozados

"Os motoristas determinaram hoje que não vão sair daqui". A declaração foi feita ao início da manhã desta quarta-feira pelo advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques. "Mesmo serviços mínimos, requisição civil... Não vão fazer absolutamente mais nada", garantiu o porta-voz do SNMMP.

"Se é para levar os 11 colegas presos, então vão levar todos. Têm é que arranjar autocarros grandes para levar esta gente toda", disse relativamente ao facto de 11 trabalhadores terem sido notificados pelo crime de desobediência por não terem respeitado a requisição civil.

O advogado defendeu ainda que os motoristas "estão cansados de ser gozados".

"O senhor ministro pode mandar o exército, que reforce o exército para fazer os postos, para manter isto como está, continue a gozar com estas pessoas para que elas não possam reivindicar os seus direitos, mas elas não saem daqui nem saem os que estão no Norte, no Alentejo ou no Algarve. Hoje, ninguém vai sair", disse.

Vieira da Silva desafia partes em conflito a negociar
O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social desafiou os motoristas em greve e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) a voltarem à mesa de negociações.

"Chegou o momento das partes, provavelmente até teria sido melhor que tivesse chegado mais cedo, assumirem a responsabilidade por encontrar uma alternativa a este conflito e a alternativa tem que ser a negociação", disse Vieira da Silva, em entrevista à SIC Notícias, na terça-feira à noite.

"Aquilo que hoje já podemos verificar é que esta greve tem efeitos prejudiciais, não apenas para os setores em causa, que essa é a função da greve e a greve é um direito constitucional incontestável, mas está a produzir efeitos negativos em zonas críticas da nossa economia e da nossa sociedade", sublinhou.

Vieira da Silva defendeu que o Governo tem mostrado "uma enorme contenção", definiu serviços mínimos e não avançou com uma requisição civil preventiva.

"Não o fez, esperou para ver se as partes se entendiam", sublinhou, acrescentando que "só avançou para a requisição civil quando identificou zonas onde [os serviços minimos] não estavam ser cumpridos".

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumpriram na terça-feira o segundo dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar a requisição civil, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que levou à constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias para reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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