Investigadores encontram coronavírus em esgotos do estado do Rio de Janeiro

Só foi possível fazer a análise em Niterói porque a cidade é uma das poucas da região a contar com saneamento básico adequado

Investigadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciaram que detetaram material genético do novo coronavírus em esgotos do município de Niterói, no estado brasileiro do Rio de Janeiro.

"Os resultados iniciais evidenciam a eficácia da metodologia na ampliação da vigilância de propagação do novo coronavírus. Na primeira semana, foi possível detetar material genético do novo coronavírus em amostras de esgotos em cinco dos 12 pontos de recolha", indicou em comunicado a Fiocruz, instituição brasileira de referência no controlo de epidemias.

O objetivo do estudo, desenvolvido em parceria com a prefeitura de Niterói, é acompanhar o comportamento da disseminação do vírus ao longo da pandemia de Covid-19.

Segundo a Fundação, evidências científicas recentes mostram que o novo coronavírus é excretado em fezes. Dessa forma, o projeto utiliza a análise de amostras de esgotos como um instrumento de vigilância, permitindo identificar regiões com presença de casos da doença, "mesmo os ainda não notificados no sistema de saúde".

Apenas foi possível fazer a análise em Niterói, porque a cidade é uma das poucas da região a contar com saneamento básico adequado e a tratar mais de 90% de seus efluentes.

As primeiras recolhas de amostras foram realizadas em 15 de abril, e retiradas do esgoto bruto em 12 pontos georreferenciados e estrategicamente distribuídos pela cidade de Niterói, incluindo estações de tratamento de esgotos (ETEs), pontos de descarte de efluentes hospitalares e rede de receção e encaminhamento de esgotos.

"A investigação sistemática da presença do material genético do vírus na rede de esgotos sanitários pode fornecer um retrato da presença de casos positivos em determinada localidade, incluindo assintomáticos e subnotificados no sistema de saúde", explicou a investigadora Marize Miagostovich, responsável pelo estudo e chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental da Fiocruz.

Contudo, a descoberta não significa que o vírus causador da covid-19 possa ser transmitido pelo esgoto.

"As nossas análises detetam a presença de fragmentos de material genético do vírus, indicando que existe presença de casos positivos em determinada localidade. Porém, ainda não há evidências na literatura científica de que, quando excretado nas fezes, o vírus ainda esteja viável para infetar outras pessoas", esclareceu a especialista.

Até ao momento, a via respiratória é o principal modo de transmissão do novo coronavírus, através de gotículas geradas pela tosse ou espirros.

Para a investigadora da Fiocruz Camille, o presente estudo reforça a importância da relação entre saneamento e saúde, e serve como um instrumento de alerta para identificar bairros e comunidades em que há aumento de casos, subnotificações e mesmo casos não registados.

"A monitoração de Covid-19 em esgotos sanitários tanto subsidia ações regionalizadas de contenção da transmissão, quanto permite antecipar a mobilização da atenção primária em saúde em determinada localidade onde a circulação viral seja detetada previamente pela monitorização dos esgotos", indicou.

O Brasil ultrapassou hoje a barreira dos cinco mil mortos associados ao novo coronavírus, totalizando 5.017 óbitos e 71.886 casos confirmados desde o início da pandemia, informou o Ministério da Saúde.

O Rio de Janeiro é o segundo estado com maio concentração de casos, com 738 óbitos e 8.504 casos de infeção, apenas atrás de São Paulo.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 214 mil mortos e infetou mais de três milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 840 mil doentes foram considerados curados.

Por Sábado
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Fora de Campo

Notícias