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Cronista do Record defende que deve ser bem definida a diferença entre ilusão e imprensa
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Os jornais fazem parte da vida de Leonor Pinhão há mais de 45 anos. A cronista do Record, autora do espaço ‘Floresta de Pernas’, não recebe cópias pirateadas dos jornais através de Whatsapp ou outras redes sociais, mas tem consciência de um flagelo que se banalizou. "Este fenómeno da pirataria surpreende-me e choca-me, pela normalidade com que se faz. Sendo que não tem nada de normal, é uma atividade criminosa, já que é fornecido gratuitamente um serviço que custa dinheiro a produzir e a gerir", realça a cronista.
Alertando para os perigos desta nova realidade, a cronista reconhece que os jornais "têm uma tarefa ciclópica pela frente", já que estão numa batalha com armas desiguais. "É uma luta terrível, contra um adversário de proporções gigantescas. A única maneira que os jornais têm de combater este adversário é trilhar o caminho de produzir cada vez melhor informação e serem criteriosos na área da opinião. Não sei se isso lhes trará dividendos financeiros a curto e médio prazo, mas quanto mais definida for a fronteira entre ilusão e imprensa, melhor a imprensa se estará a defender dos perigos modernos", sustenta,considerando "fundamental que quem consome jornais os pague". "Como é que isso se faz? Não sei. Se soubesse, estava rica", diz com um sorriso.
Além disso, Leonor Pinhão acredita que o "o único caminho possível é formar o público e trabalhar sobre o consumidor final", de forma a que fique bem claro que "a opinião de um charlatão não tem, nem por ter, mesmo peso e valor da opinião de um especialista". "A democacria não é isso. A democracia é uma pessoa, um voto, não é dizer que vale o mesmo a opinião ou uma informação dada por qualquer um tem o mesmo valor de uma informação prestada por um especialista que toda a vida trabalhou ou estudou um determinado assunto", defende.
çPara Leonor Pinhão, a pirataria de meios de comunicação social representa um problema muito mais vasto do que apenas a sobrevivência dos meios de comunicação social. "A facilidade com que as pessoas recebem jornais grátis através de redes sociais coloca essas notícias no mesmo patamar de credibilidade que as notícias falsas, os boatos e a desinformação", explica. "É fundamental que um consumidor de notícias saiba que aquilo que está a ler, que aquilo que está a consumir, tem uma base de sustenção feita por profissionais independentes, com formação específica, com experiência na divulgação de informação.Ao ser dessiminado de forma abusivamente gratuita, esses conteúdos são colocados ao nível da desinformação de todo o pântano das redes socias", acrescenta.
A cronista recorda uma ideia de Umberto Eco para concluir que "qualquer imbecil passou a ter importância". E constata que aquilo que tem acontecido relativamente ao Covid e à vacinação "é um bom exemplo" das consequências que isso traz para a sociedade. "Mais do que assustar, aterroriza. A opinião de qualquer imbecil passou a ser igual à do maior especialista. E isso dissemina uma onda de ignorância que se aplica a várias áreas", lamenta.
Uma vida dentro de redações
Há pouca gente com um conhecimento mais aprofundado do que é uma redação de jornal do que Leonor Pinhão. Nascida em 1957, a cronista de Record começou a carreira no jornal ‘A Bola’, pela mão do pai, Carlos Pinhão, um dos históricos do jornalismo desportivo português. "O meu pai era chefe e chamou-me para ajudar em agosto, durante os Jogos Olímpicos de Montreal, numa altura em que faltava gente. Tinha uns 19 anos", recorda. "Desde então, sempre ganhei a vida nos jornais", acrescenta.
Seguiram-se passagens pelos cursos de História e Cinema, mas o papel levou a melhor. Leonor Pinhão passou por ‘A Bola’, ‘Expresso’ e ‘Público’, até que assentou no ‘Correio da Manhã’ e Record, onde é autora desde agosto de 2015 da coluna ‘Floresta de Pernas’, sempre em tons de benfiquismo, que nunca escondeu.
Pelo meio, escreveu livros, argumentos de cinema e até defendeu D. Afonso Henriques no programa da RTP ‘Os Grandes Portugueses’, em 2007. A sua carreira multifacetada valeu-lhe o grau de Comendadora da Ordem do Mérito, que recebeu a 9 de junho de 2005 das mãos do então Presidente da República Jorge Sampaio, seguindo os passos do seu pai, Carlos Pinhão, agraciado com a mesma distinção em 1993, já a título póstumo, menos de meio ano depois da sua morte.
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