Mãe que abandonou filho recém-nascido no ecoponto acusada de tentativa de homicídio

• Foto: Pedro Catarino

O Ministério Público acusou de tentativa de homícidio qualificado, na forma tentada, a mãe que abandonou o filho recém-nascido num ecoponto junto à estação ferroviária de Santa Apolónia, em Lisboa, em novembro de 2019. Os procuradores decidiram também que Sara Furtado, uma jovem cabo-verdiana de 22 anos que vivia na condição de sem-abrigo, continuem em prisão preventiva à espera de julgamento. 

"O Ministério Público encerrou o inquérito e requereu o julgamento em tribunal coletivo contra uma arguida, pela prática do crime de homicídio qualificado, na forma tentada", lê-se no comunicado da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O MP considera que Sara "ocultou sempre a sua gravidez, e decidiu ter o seu filho sem qualquer assistência hospitalar e sem dar conhecimento a ninguém, sempre com o intuito de lhe tirar a vida imediatamente após o seu nascimento, escondendo de todos o que tinha feito". Para os procuradores, " a morte do recém-nascido só não veio a concretizar-se por mera casualidade e intervenção de terceiros que o encontraram e lhe prestaram os cuidados de saúde de que carecia para viver". 

O filho de Sara foi encontrado num caixote do lixo no dia 5 de novembro e foi descoberto por sem-abrigo, ainda com vestígios do cordão umbilical. A mãe foi detida posterioramente e ficou em prisão preventiva. Logo na altura, a Polícia Judiciária defendeu que a mãe do recém-nascido agira sozinha e nunca revelara a gravidez a ninguém, vivendo numa situação "muito precária na via pública".

Sara foi entrevistada pela TVI a 11 de setembro, no âmbito de uma reportagem sobre pessoas a viver na rua, não sabendo o canal que a mulher estava grávida. A sua história foi publicada depois de ter sido conhecido que era ela a mãe do bebé. "Estou aqui há três meses, mas eu não quero essa vida. Eu sou muito nova para estar nessa vida. Eu quero estudar viver a minha vida, trabalhar. Eu não quero isto", admitiu então. À jornalista contou ainda que estava legal em Portugal (depois de numa primeira ocasião ter dito que estava ilegal) e que nunca tinha tido problemas com drogas. 
   

Por Sábado
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