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Presidente da República disse ter ouvido já várias pessoas com a mesma preocupação
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O Presidente da República defendeu hoje a abertura de "um canal de entrada" de imigrantes para dar resposta à falta de mão-de-obra para reconstruir as zonas afetadas pela tempestade Kristin, que atingiu Portugal há uma semana.
O primeiro-ministro apresentou no domingo um pacote de ajuda destinado às famílias e empresas afetadas pela tempestade, mas as vítimas têm alertado para a falta de pessoal para avançar com as obras, disse Marcelo Rebelo de Sousa durante uma visita a uma empresa em Soure inaugurada no início de janeiro e devastada 15 dias depois pela tempestade.
"Tem de se encontrar uma solução. Acho que o Governo vai pensar em abrir uma via, um canal de entrada de mão-de-obra especialmente vocacionada para este tipo de desafio", disse o chefe de Estado, defendendo que não se trata de "haver vontade", mas sim da necessidade de resolver "um problema".
Marcelo disse ter ouvido já várias pessoas com a mesma preocupação: "Um dos problemas levantado por vários empresários e setores afetados, até instituições como os bombeiros, foi dizerem-me que tudo isto é muito bonito, mas é preciso haver mão de obra para o fazer".
Sobre se o pacote apresentado no domingo será suficiente para responder às necessidades, voltou a defender que tudo depende da execução e dos montantes envolvidos: "É importante que a máquina funcione bem e depois que haja rapidez" na resposta.
O dia de Marcelo começou hoje no posto de comando de Ourém, onde contactou com populares à procura de material de construção para reparar as suas casas, como Florinda Verdasca, que aos 83 anos disse à Lusa não ter memória de "uma tempestade com a força" de Kristin.
Enquanto isso, num outro edifício, uma equipa da proteção civil recebia outros populares com outro tipo de pedidos, como o senhor João que garantiu ter todo material necessário e precisar apenas de ajuda para voltar a ligar a energia.
Depois de Ourém, segui para Pedrogão Grande e terminou o dia em Soure.Poucos minutos antes de a comitiva chegar, Carlos Sousa voltou a ter luz depois de "uma semana às escuras".
À entrada de Soure, na Rua de São Pedro, no Pateão, a sua casa e a da vizinha eram hoje ao inicio da tarde as únicas que continuavam sem energia. "Os vizinhos têm luz desde sábado, mas nós só agora é que vamos conseguir", contou à Lusa o estofador que teve o negócio parado por falta de energia.
"Estamos numa luta poste a poste", contou o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes, referindo-se à reposição de eletricidade durante uma reunião Serviço Municipal da Proteção Civil, onde esteve Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de estado Rui Rocha e vários responsáveis locais.
Na Proteção Civil, Marcelo Rebelo de Sousa inteirou-se da situação na região que hoje vive mais um dia difícil, agora devido às chuvas. O Presidente da República visitou Soure e esteve em vários pontos junto ao rio, contando aos jornalistas que provavelmente dentro de poucas horas aquela zona "será outro mundo".
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