Marcelo nos 15 anos da 'Sábado': «Sem comunicação forte não há democracia forte»

Presidente da República alerta para a crise da comunicação social e da democracia para que mais tarde "não choremos sobre o leite derramado"

Depois de Octávio Ribeiro, diretor-geral editorial da Cofina, fazer a abertura da Conferência Democracia e Liberdade de Imprensa, o Presidente da República subiu ao palco para dar início a uma "tarde intensa e rica" de debate. Marcelo Rebelo de Sousa felicitou a SÁBADO pelos 15 anos de existência e agradeceu esta conferência que, segundo o Presidente, tem um "significado especial" e que corresponde a um apelo que formulou há meses para que se olhe com redobrada atenção para o panorama da comunicação social em Portugal. "Estão de parabéns os organizadores que não meteram a cabeça na areia como outros que pensam que o problema será mais de terceiros do que seu. Puro engano: "O problema ou já chegou ou está a chegar a todos".

Chorar sobre o leite derramado
Marcelo lembrou que "sem comunicação forte não há democracia forte. O que importa é que a comunicação social em crise é democracia em crise e isso significa caminho aberto para outras fórmulas, outros sistemas que nada têm a ver com aquele entre nós consensualizado e consagrado na Constituição da República. Não choremos depois tarde demais sobre o leite derramado, o que não tivermos feito para reforçar a nossa democracia será sempre pago com juros".

O fator mais preocupante da situação da nossa comunicação social, lembrou, é o económico-financeiro. A imprensa local e regional sofre um crescente estrangulamento e mesmo quando resiste é com extremas dificuldades. E o mesmo acontece com as rádios locais. "A imprensa nacional rejubila quando alcança uma, duas, três dezenas de milhares de vendas em banca. As televisões também têm as receitas a minguarem. Claro que há pelo meio exceções, algumas só lhes fica bem promoverem conferências e iniciativas de debate de um problema comum, outras entendem que lhes basta terem quem financiei duradouramente os seus projetos editoriais, independentemente de estritos critérios de natureza económico-financeira". Qual é o risco? O risco é de que sobrevivam apenas aqueles com financiadores mais fortes e há que garantir a isenção e evitar discriminações.

Motivar os mais jovens à leitura 
O Presidente sublinhou a importância de fomentar a leitura, nomeadamente nos mais jovens, porque outra preocupação é precisamente a quebra da leitura em Portugal: "Todos nós evitamos falar disso, mas basta falar com as editoras, acompanhar o ritmo de encerramento de alfarrabistas e livrarias. Tudo isto nos obriga a dar força ao Plano Nacional de Leitura, que precisa de reforçar a sua presença nas escolas e também reforçar a ligação aos meios de comunicação social porque passa por aí a motivação de novos leitores da comunicação social e a sobrevivência da imprensa escrita". Marcelo afirmou que "tem de se lutar em várias frentes" porque estamos num "tempo implacável para os se atrasam, que param e renunciam a mudar, o que se sucede em muita comunicação social portuguesa".

Autor: Sábado

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