Morreu um dos médicos de Wuhan que acordou do coma com a pele negra

Hu Weifeng não resistiu, Yi Fan recuperou e já teve alta

Em abril a comunidade científica ficou boquiaberta com o caso de dois médicos na China - Yi Fan e Hu Weifeng- gravemente doentes com a covid-19, que acordaram do coma com a pele escura. Esta terça-feira, volta falar-se desta situação, com vários jornais, citando a agência AFP, a anunciarem que Hu Weifeng, urologista no hospital de Wuhan, morreu sexta-feira depois de quatro meses de tratamento à covid-19 e com problemas associados.

Hu Weifeng é a primeira vítima mortal de coronavírus en semanas en China e o sexto médico do seu hospital a morrer por ter sido infetado pelo coronavírus. Yi Fan recuperou e já teve alta, de acorddo com o 'El Mundo'.

A explicação que foi dada para a mudança da cor da pele

O doutor Gianni Sava, professor de farmacologia da Universidade de Trieste e membro da sociedade italiana de farmacologia, explicou em abril que entre os medicamentos usados na China para o combate à covid-19 o único que pode "provocar hiperpigmentação da pele é a cloroquina", utilizado no tratamento da  malária.

"Quando num caso de emergência se mistura alguns fármacos, podem surgir efeitos adversos que causam problemas no fígado: fala-se de icterícia hepática. A pele muda, fica amarelada, ficando depois mais escura, mas não tão negra como se vê nesta foto. Sem saber o que deram a estes médicos é impossível encontrar uma explicação exata para o sucedido", afirmou.

O mesmo especialista italiano acrescentou que "para o tratamento de pacientes internados com Covid-19 a terapia recomendada inclui oxigenoterapia e antivirais, como interferon-alfa, lopinavir-ritonavir, ribavirina, umifenovir ou cloroquina. A estes podem juntar-se outras terapias de apoio para a prevenção da pneumonia como antibióticos e anticoagulantes e, nos pacientes mais críticos, corticóides e tocilizumabe."

"Entre as terapias recomendadas, o risco de mudança da cor da pele está descrito na cloroquina. Também já se verificou esse efeito depois do uso de ribavirina e interferon alfa", sublinhou.

Esse cocktail farmacológico pode ter causado sérios danos no fígado dos dois médicos. "O efeito pigmentante provocado por alguns fármacos tem tendência a ser reversível. Mas o processo é lento. Sabemos que são precisos pelo menos três meses de utilização da cloroquina para que a hiperpigmentação apareça. Tendo em conta que ambos os pacientes estão internados há tanto tempo, esta pode ser uma explicação compatível com o que foi descrito."

Gianni Sava adiantou ainda que este efeito depende também da dose administrada. "Já se usaram elevadas doses de cloroquina em doentes muito graves. Se a isso juntarmos outros fármacos e a menos capacidade do organismo eliminar os medicamentos, obtém-se um aumento das concentrações no sangue."

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