Novo Banco arranca o ano com lucros de 60,9 milhões de euros

O primeiro trimestre de 2018 foi passado no verde

António Ramalho Novo Banco
António Ramalho Novo Banco

O Novo Banco começou o ano com lucros trimestrais, ao contrário do que vem acontecido até aqui. O resultado líquido positivo foi de 60,9 milhões de euros. A ajuda veio de uma alteração contabilística relativa à seguradora que está a ser vendida, a GNB Vida, que teve um impacto positivo nos resultados. 

"O grupo Novo Banco registou no primeiro trimestre de 2018 um resultado líquido positivo de 60,9 milhões de euros, que compara com um prejuízo de 130,9 milhões de euros no período homólogo do ano anterior", assinala o comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
 
Este é o primeiro trimestre em que o Novo Banco esteve na posse da Lone Star, já que o fundo americano comprou os 75% da instituição já quando corria o mês de Outubro.
 
Apesar do resultado, o presidente executivo, António Ramalho, modera as expectativas: "No Novo Banco estamos focados na recuperação sustentável e não nos lucros imediatos".
 
O lucro da instituição financeira herdeira do BES deve-se, em grande medida, a uma alteração contabilística: "a classificação da GNB Vida como actividade em descontinuação (51,2 milhões de euros) que é compensado com uma variação negativa em reservas de igual valor".


Dívida pública compensa margem
A margem financeira do Novo Banco (que resulta da diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) deslizou 18,1% para 97,4 milhões de euros. Os juros em terreno negativo e a necessidade de oferecer mais nos depósitos para não perder clientes são as justificações para a evolução. As comissões bancárias subiram 3,8% para 78,7 milhões de euros.
 
Os resultados de operações financeiras, que passaram de perdas de 6,3 milhões para 39,2 milhões de euros, ajudaram ao resultado, beneficiando "dos ganhos obtidos com as transacções realizadas no âmbito da carteira de dívida pública".
 
Na soma destas rubricas, o produto bancário do banco somou 39,5% para 252,2 milhões de euros.
 
Já os custos aliviaram em 9,8% para 135,2 milhões de euros, "reflexo das medidas de reestruturação associadas a um continuado redimensionamento da rede de distribuição", bem como a diminuição do pessoal. Os custos com pessoal cederam 8,2%. O banco fechou o trimestre com 473 agências, menos 63 do que um ano antes.
 
Menos imparidades
Um dos factos que contribuiu para o resultado positivo foi a diminuição das imparidades e provisões. As novas imparidades para crédito caíram para mais de metade, situando-se nos 50,1 milhões de euros. Houve até uma reversão de imparidades para outros activos e contingências.

O principal rácio de capital (Common Equity Tier 1) do Novo Banco foi de 13,5% em Março, face aos 12,8% de Dezembro de 2017. 

Depósitos e créditos cedem

O Novo Banco perdeu crédito e depósitos em Março, face ao último mês de Dezembro. A carteira de crédito a clientes (em valores brutos, antes de imparidades), ascende a 31,3 mil milhões de euros, abaixo dos 31,4 mil milhões de três meses antes.

Já no que aos depósitos diz respeito, contabilizam-se 28,6 mil milhões de euros colocados no Novo Banco no final do primeiro trimestre, um número que compara desfavoravelmente com os 29,7 mil milhões de Dezembro. 

Sem efeitos nos activos cobertos pelo Fundo de Resolução
"No primeiro trimestre de 2018, não se registaram factos ou transacções relevantes com impacto nos activos do grupo, incluindo nos herdados e protegidos pelo mecanismo de capital contingente, pelo que nenhum efeito excepcional afecta as contas deste trimestre", revela o comunicado à CMVM. 

Em 2017, o Novo Banco teve de receber 792 milhões de euros do Fundo de Resolução, para cobrir estes activos sob o mecanismo, pelos quais a Lone Star não assumiu toda a responsabilidade. 

Autor: Diogo Cavaleiro/Negócios

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