Paredes de Coura 2019: O que é The National também é bom

Norte-americanos fecharam a primeira noite do Festival que está 'sentado' num paraíso há 27 anos

Paredes de Coura 2019 já está em velocidade de cruzeiro e promete ser mais uma edição memorável.
O paraíso no anfiteatro natural da praia do Taboão abriu com uma história para mais tarde recordar: os bracarenses Bed Legs tiveram o privilégio de inaugurar o palco principal e podem contar aos netos o que lhes vai ficar para sempre na retina…

Antes disso, como sempre, o tradicional jazz na relva, com os portugueses Marazin, que desde 2016 estreitam ligações entre Lisboa e Beja, a fazer o aquecimento para os Plastic People, feitos de carne e osso e naturais de Alcobaça.

Há quem defenda com unhas e dentes que o que é Nacional é bom e isso é um facto, mas por estas linhas dentro vão perceber que o que é The National também pode ser bom. Por agora, fiquem com uma marca nacional para início de conversa, que depois percorreu o palco principal por esse mundo fora, com a voz suave de Julia Jacklin, diretamente da distante Sidney, a justificar uma infância certamente feliz na Nova Gales do Sul. Será assim?

Por ali também passaram os Boogarins, que começaram em Goiânia, no Brasil, em 2010, aí ainda em forma do dueto fundador. Mas Fernando Almeida e Benke Ferraz depressa se transformaram em quarteto. Uma mistura suave que planou por Coura, no aquecimento ideal para os Parcels, um groove agradável, há quem diga que é um funk electro, mas na essência o que estes australianos fizeram foi colocar a plebe em modo de dança. Eles que, por momentos, até sintonizaram Jorge Palma e por cá andam desde 2014 e devem ter ficado com uma boa imagem, pois demoraram a despedir-se de uma já bem considerável legião de fãs, na primeira verdadeira comunhão do Paredes de Coura 2019.

O festival, entretanto, estava já bem composto na sua plenitude. Famílias inteiras, mantas e toalhas, a relva fofa para aproveitar. Filhos ainda em êxtase pela primeira vez, de pulseira grátis até aos 12 anos, o que é sempre de assinalar para quem investe dias de férias a sentir o já famoso ‘Couraíso’.

Antes disto tudo o mesmo festival subiu à vila, com os The Parkinsons a fechar as hostilidades lá bem no centro, em cima do café central, entre os locais, cheios de energia e potência. Nas guitarras, nas vozes, na bateria, a dar tudo pela simpatia reinante em minhotos orgulhosos pelo 27.º ano consecutivo!

Leram bem, sim, desde 1993 que Paredes de Coura está no mapa pela mão de um bom par de rapazes, que depressa se fizeram homens, empresários e pais de família. Em 2005, talvez a edição mais memorável, sim muito provavelmente a melhor de sempre. Com Foo Figthers, Kaiser Chiefs, Pixies, Queens of the Stone Age, The Roots, The Arcade Fire, Nick Cave & The Bad Seeds e os… The National, os mesmos, um pouco mais velhos, claro, que ontem fecharam a primeira noite. Matt Berninger, o líder, lembrou duas histórias dessa edição que também marcou certamente o resto da carreira dos norte-americanos de Ohio. A primeira foi quando encontrou Nick Cave e ele, que já era um monstro da música em 2005, não terá sido muito simpático, brotando um daqueles palavrões à sua passagem. A segunda, foi quando o próprio Matt se ‘passou literalmente da cabeça’ e decidiu deixar o conforto da zona VIP para ir curtir no meio da multidão um dos melhores concertos de sempre em Coura, o dos Foo Figthers.

Este que vos escreve, por experiência própria, assina por baixo, mas entretanto detém-se na voz grave e rouca de Berninger, enquanto no ecrã gigante há uma senhora já na casa dos 50 a chorar e uma menina de cabelo verde completamente fora de si que também chora. Só chora de si por contente e o bom do Matt, que também deu um bom espetáculo, coerente e sem grandes alaridos, mas o suficiente para fechar a noite em beleza. Muito comunicativo e pouco expansivo, por muito paradoxal que isso pareça, mas a perceber que atrás de si e de um simples lenço, o que ele atirou para a multidão logo na segunda música, há sempre uma história para contar. Esta acabou com ele a consolar a menina de cabelo verde e a senhora que brotava aquela lágrima. Talvez porque há sempre uma música que nos faz lembrar uma fase da nossa vida, um momento, um caso, um ocaso ou um acontecimento. Quem não a tem que se levante agora ou cale-se para sempre…

Por António Mendes
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