Parlamento quer voltar a ouvir Constâncio sobre crédito a Berardo

Sociais-democratas querem dar a Constâncio a oportunidade de "refrescar a memória"

Parlamento Assembleia da República
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O PSD espera que o regresso de Vítor Constâncio ao Parlamento lhe permita "refrescar a memória" e, nesse sentido, vai requerer uma nova audição ao ex-governador. Também o Bloco de Esquerda e o PCP anunciaram que querem voltar a ouvir o ex-governador do Banco de Portugal.

Em declarações à TSF, o deputado social-democrata Duarte Pacheco disse não ter dúvidas de que Constâncio mentiu aquando da primeira audição no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos.

Adiantou ainda que irá entregar, ainda esta sexta-feira, 7 de junho, nos serviços da Assembleia da República um pedido para a realização de nova audição ao ex-vice-presidente do Banco Central Europeu.

"Não temos qualquer dúvida que o dr Vítor Constâncio não disse a verdade na primeira comissão de inquérito. Queremos dar-lhe oportunidade para poder refrescar a memória e dizer a verdade ao Parlamento e ao país", disse o deputado.

Entretanto, durante o debate parlamentar sobre a reforma da supervisão financeira, também o Bloco de Esquerda e o PCP anunciaram que pretendem fazer regressar Constâncio ao Parlamento.

Citada pela Lusa, a deputada bloquista Mariana Mortágua defendeu que a notícia avançada pelo Público mostra que era "quase impossível" Constâncio e o BdP não tivessem "conhecimento antecipado" do crédito concedido pelo banco público a Berardo.

"Vítor Constâncio tem de voltar à comissão de inquérito e explicar porque mentiu quando disse que era impossível ter conhecimento antecipado e porque disse não se lembrar de uma operação tão importante como a concessão de crédito de 350 milhões de euros a Joe Berardo para controlar o BCP."

Também o deputado comunista Duarte Alves sustentou que a ser verdade aquilo que é relatado pelo Público, então o que Vítor Constâncio disse na comissão de inquérito "não corresponde à verdade". Como tal, o PCP vai "pedir desde já ao BdP todas as atas do conselho de administração em que haja referência a operações deste género, em que um banco empresta para compra de ações de outro banco, e uma nova audição ao dr Vítor Constâncio".

Estas declarações surgem depois de o Público ter noticiado esta sexta-feira que Vítor Constâncio omitiu, no Parlamento, que, em 2007, quando era ainda governador do Banco de Portugal, autorizou Joe Berardo a levantar 350 milhões de euros junto da CGD para comprar ações do BCP.

"No dia 21 de agosto, em plena guerra de poder pelo controlo do BCP, o conselho de administração do Banco de Portugal, chefiado por Vítor Constâncio, reuniu-se com um ponto de agenda: autorizar aquela que se viria a revelar, tempos depois, uma das mais ruinosas e questionadas operações de crédito concedidas nos últimos anos pela banca portuguesa", relata o Público. 

Quando esteve no Parlamento, a 28 de março, o também antigo líder do PS garantia que o BdP não teve qualquer conhecimento do crédito concedido pela CGD a Berardo para adquirir ações do BCP desde logo por "ser impossível" ter acesso a essa informação.

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