Polícia chamada a intervir nos CTT de Cabo Ruivo

Já esta manhã, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações anunciou uma adesão de 83% à greve na empresa durante o turno da noite...

Polícia chamada a intervir nos CTT de Cabo Ruivo
Polícia chamada a intervir nos CTT de Cabo Ruivo • Foto: LUSA

A polícia foi chamada a intervir no centro de distribuição dos CTT em Cabo Ruivo para permitir a saída dos primeiros quatro camiões depois do início da greve na empresa.

O início do protesto foi marcado pela intervenção da polícia de intervenção, que afastou grevistas, sindicalistas e deputados das proximidades da porta da empresa.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e os deputados Bruno Dias (PCP) e Pedro Filipe Soares (Bloco de Esquerda) estiveram entre os que foram empurrados. Os deputados insurgiram-se por a polícia os pretender confinar a um lado da estrada, com Pedro Filipe Soares a dizer que vai levar a situação à Assembleia da República.

Arménio Carlos condenou a ação policial, por ser um "ato de coartar a liberdade", apesar de responsabilizar "não a polícia, mas o Ministério [da Administração Interna] e o Governo", sintetizando a sua classificação da situação como sendo "uma vergonha".

Bruno Dias disse à agência Lusa que "o piquete de greve foi impedido de exercer as suas funções" e considerou "inaceitável que [os polícias] digam que estão a garantir a circulação do trânsito". No mesmo sentido, Pedro Filipe Soares condenou o que considerou ser um "uso abusivo de força" pela polícia, ao "empurrar [os manifestantes] para o outro lado da estrada" e que "o piquete de greve estava a defender os postos de trabalho".

O deputado do Bloco de Esquerda acusou as forças da autoridade de estarem "a ir contra a lei", considerando que "não há justificação para o que está a acontecer" e acusou-as de estarem "a defender apenas os acionistas, não o interesse nacional".

A intervenção policial foi realizada por algumas dezenas de efetivos, dividindo-se em cerca de 20 à porta das instalações da empresa e outros tantos, do outro lado da estrada, a confinar os manifestantes.

Cerca da 00:20, a polícia de intervenção retirou e só permanece um cordão policial à porta da saída dos camiões, não havendo movimento de entrada e saídas. A intervenção da polícia permitiu a saída de alguns camiões dos CTT com atrelados.

Adesão de 83%

Já esta manhã, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações anunciou uma adesão de 83% à greve na empresa durante o turno da noite.

Os trabalhadores dos CTT de todo o país reúnem-se hoje em plenário pelas 14H30 na Praça dos Restauradores, em Lisboa, para decidirem a continuação do protesto. Cerca das 15 horas, vão dirigir-se em manifestação até ao Ministério das Finanças.

Uma delegação do sindicato irá ainda entregar na Assembleia da República "uns largos milhares de postais" a exigir a não privatização da empresa, assinados por cidadãos de todo o país.

O sindicato anunciou ainda, em comunicado, que às 17 horas terá uma delegação a reunir-se com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, em que defenderá as posições de oposição ao negócio de venda dos CTT.

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