População infantil em Portugal tem segunda maior quebra na UE em 50 anos
Retrato da Pordata revela que proporção de crianças com menos de 10 anos diminuiu drasticamente desde 1975
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A população infantil em Portugal teve a segunda maior queda na União Europeia (UE) em 50 anos. Nas últimas cinco décadas, Portugal deixou de ser um dos países com mais crianças até aos 10 anos para ser um dos países com menos, o que contribuiu para deixar o país mais envelhecido. A conclusão é de um retrato divulgado pela Pordata, por ocasião do Dia Mundial da Criança que se celebra esta segunda-feira.
Segundo os dados compilados pela Pordata com base no Instituto Nacional de Estatística (INE), Eurostat e outras fontes estatísticas, em 1975, Portugal era o segundo país da UE com mais crianças entre os 22 países com histórico de dados desagregados por idade. A população infantil representava, na altura, 22% do total da população residente. Mas, em meio século depois, a situação inverteu-se. Portugal é agora o quarto país da UE com menos crianças (9,8%), tendo registado uma quebra de 12,1 pontos percentuais.
Essa foi a segunda maior queda registada entre os 22 países considerados, com Portugal a ficar apenas atrás de Espanha. No país vizinho, a queda observada na população infantil foi de 12,4 pontos percentuais, mais 0,3 pontos percentuais do que por cá. Espanha era, em 1975, o país da UE com mais crianças com menos de 10 anos (22,2%) e passou a ser, em 2025, o segundo país com menos (9,8%).
A lista de países com menor proporção de crianças é liderada por Itália, onde só 9,1% da população tem menos de 10 anos. Desde 2018, Itália tem liderado sistematicamente esse indicador. Em sentido contrário, os países com menor proporção de crianças são a Irlanda (14,2%), Suécia (13,2%) e França (12,8%).
Entre os 308 municípios portugueses, a maior proporção de crianças com menos de 10 anos encontra-se em Ribeira Grande (11,1%), nos Açores. Em sentido contrário, o município de Almeida é o mais envelhecido, com apenas 3,6% de crianças entre a população total residente. Os dados da série histórica do INE – que se inicia em 1991 e termina em 2024 – mostram que Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão foram os únicos municípios onde a proporção de crianças até aos 10 anos aumentou. Já Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz foram os municípios onde a quebra na proporção de crianças foi maior (entre 10 e 11 pontos percentuais).
Em Portugal, há 793 mil agregados familiares com pelo menos uma criança menor de 12 anos, o equivalente a 17% do total de famílias. Dessas, 69% vivem com um casal e 20% vivem em famílias com mais de dois adultos. Cerca de uma em cada 10 crianças vive em famílias monoparentais, o que, segundo o relatório "Portugal, Balanço Social 2025" da Nova SBE publicado no final de maio, é um fator que está associado a um maior risco de pobreza.
Em 2025, 157 mil crianças menores de 12 anos viviam em famílias em risco de pobreza. Porém, na última década, houve uma diminuição significativa no número de crianças nesta situação. Foram contabilizados menos 103 mil crianças em risco de pobreza face ao registado em 2015. Na UE, em 2025, 9,4 milhões de crianças viviam em agregados familiares em risco de pobreza, menos 1,5 milhões do que em 2015.
A Pordata nota ainda que, "em todos os países, o nível de escolaridade dos pais está fortemente associado ao risco de pobreza ou exclusão social das crianças". As diferenças são "sempre superiores a 20 pontos percentuais entre o nível de escolaridade mais baixo e mais alto". A Hungria é o país com maior disparidade, com mais de 77 pontos percentuais de diferença. Em Portugal, a diferença é de 37,5 pontos percentuais, a segunda mais baixa entre os 27 Estados-membros.