«Químicos nos helicópteros em Monchique são irrelevantes»

aviões de combate aos incêndios estão a carregar espumífero, clarificou Protecção Civil

• Foto: Lusa

A Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) confirmou que nos helicópteros de combate a incêndios, não estão a ser usados químicos retardantes contra as chamas. Tanto bombeiros como especialistas criticaram a falta dos químicos, mas Ricardo Ribeiro, presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil (Asprocivil), é de opinião diferente.

"Neste teatro de operações, o uso de espumíferos nos helicópteros é irrelevante. Os helicópteros são de ataque inicial, não de ataque ampliado. Se me perguntar se o espumífero é melhor, digo que sim, mas contrapondo à menor autonomia, menos água e menos operacionais que os helicópteros podem transportar, tenho dúvidas que seja relevante", explica. Na serra de Monchique, onde há muito vento, as projecções de fogo conseguem passar por cima do retardante. Ao usar os químicos, é necessário apoio com meios terrestres para consolidar o seu efeito: mas há muitos locais na serra inacessíveis a carros. "Um ataque aéreo com químicos não extingue o incêndio. Tem que haver uma consolidação através de meios terrestres", clarifica.

Ribeiro frisa que o espumífero é necessário, mas mais eficaz se lançado dos aviões Canadair e Fireboss. Um avião médio Fireboss carrega 70 litros de espumífero, que dá em média para 15 descargas; e cada avião pesado Canadair carrega cerca de 300 litros que dá aproximadamente 12 descargas. São menos descargas, porque cada uma abrange uma extensão maior. O helicóptero atinge uma área bem mais pequena. 

"Por outro lado, não há unanimidade quanto ao tipo de retardante, por questões ambientais e tipologia do incêndio", adiciona. "O uso de químicos depende da vegetação e do tipo de combate assumido."

A questão dos retardantes foi levantada por Xavier Viegas, especialista em incêndios florestais, à Lusa. "Para evitar reacendimentos, utilizam-se técnicas como o emprego de produtos químicos", contou. "Custará algum dinheiro, mas é largamente compensado com a economia que se pode ter com a redução das horas de combate, em especial nas horas dos meios aéreos."

A Protecção Civil já veio indicar que só os helicópteros não estão a recorrer aos químicos, e que "os aviões que estão a ser empregues no combate ao incêndio rural de Monchique estão a carregar espumífero".

"Nos contratos de 2013 a 2017 também não foi incluída a capacidade dos químicos para os 40 helicópteros de ataque inicial", recorda Ricardo Ribeiro. "O espumífero diminui a quantidade de água e pode diminuir o número de operacionais transportados, por causa do peso", reforça.

"Na minha opinião, continuamos focados em criticar o combate e relegamos o essencial, as medidas estruturais de prevenção. Não há maneira de penetrar no contínuo florestal com os meios operacionais terrestres", lamenta. "Se a floresta estivesse compartimentada, evitava-se a propagação das chamas. E continua a haver casas sem gestão de combustível. Os esforços acabam empenhados na defesa das vidas e das casas e não no travar do fogo."

Xavier Viegas também abordou a questão das faixas de contenção de incêndio, recordando um projecto de 2006 para uma rede primária em todo o país. Cortar-se-ia a vegetação para criar zonas com 125 a 150 metros de largura, que ia "evitar ter extensões muito grandes de floresta contínua e ter alguma contenção". Sem as faixas, "não há condições para combater e circunscrever os incêndios".

Autor: Sábado

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