Recessão mundial será menor este ano, mas vai levar tempo a recuperar, diz OCDE

Economia da zona euro deverá encolher 7,9%

A recessão provocada pela pandemia de covid-19 deverá ser, afinal, menos profunda este ano do que o inicialmente esperado. A OCDE melhorou as suas projeções para o PIB mundial de 2020, antecipando agora uma queda de 4,5%, em vez dos anteriores 6%, revela o Interim Economic Outlook, publicado esta quarta-feira. Porém, os efeitos negativos na atividade económica ameaçam demorar mais tempo a ser ultrapassados, ficando a recuperação em 2021 abaixo do previsto.

"A queda no PIB mundial em 2020 é menor do que o esperado, apesar de não ter precedentes na história recente", assinala o relatório, explicando que há diferenças significativas entre regiões. Enquanto na China, Estados Unidos e Europa as projeções foram melhoradas, na Índia, México e África do Sul pioraram.

Na zona euro, a recessão deverá ficar em 7,9%, antecipa agora a OCDE, em vez dos 9,1% que chegou a admitir. Alemanha, França e Itália, as três economias da união monetária para as quais a organização atualiza agora projeções, veem as suas estimativas melhoradas, apesar de a organização continuar a prever quedas agudas da produção. A Alemanha deverá registar uma contração de 5,4% (em vez de 6,6%), França 9,5% (e não 11,4%) e Itália 10,5% (contra os anteriores 11,3%).
  

Porém, a recuperação ameaça ser lenta e as projeções para o crescimento do PIB em 2021 foram cortadas. O PIB mundial deverá crescer 5%, menos duas décimas do que o inicialmente antecipado, e na zona euro a projeção é de um crescimento de 5,1%, em vez de os anteriores 6,5%.

As três economias da moeda única com projeções atualizadas apresentam uma revisão em baixa para o próximo ano, sendo Itália a que mais sofre: passa de uma expectativa de crescimento de 7,7%, para apenas 5,4%. O PIB alemão deverá crescer 4,6% (em vez de 5,8%) e França 5,8% (e não 7,7%). 

"Na maior parte das economias, o nível de produção no final de 2021 deverá permanecer abaixo do verificado no final de 2019, e consideravelmente mais fraco do que o projetado antes da pandemia, sublinhando o risco de custos de longo prazo da pandemia", lê-se no relatório.

Com segunda vaga violenta recuperação passa para metade

A OCDE sublinha que a incerteza na conjuntura económica continua muito elevada, uma vez que a atividade está muito dependente do desenvolvimento da crise sanitária. "Se a ameaça do coronavírus se dissipar mais depressa do que o esperado, um aumento na confiança poderia impulsionar a atividade global de forma significativa em 2021", admitem os peritos internacionais. "Contudo, um regresso mais forte do vírus, ou medidas de contenção mais restritivas, podem cortar o crescimento global entre dois a três pontos percentuais, em 2021", explicam.

Ou seja, neste cenário mais pessimista a economia mundial vê o ritmo da recuperação económica passar para cerca de metade, "com desemprego mais elevado e um período prolongado de investimento mais fraco", indica o relatório.

Perante este cenário, a OCDE frisa que o apoio através de políticas orçamentais, monetárias e estruturais "precisa de ser mantido para preservar a confiança e limitar a incerteza", e que deve evoluir de acordo com as condições económicas.

A organização aplaude as medidas adotadas pelos bancos centrais, explicando que é importante convencer os investidores de que as taxas de juros diretoras permanecerão baixas durante muito tempo. Também considera positivos os esforços orçamentais, e recomenda que se evite retirá-los demasiado cedo, mas sublinha que isso não deve impedir os "ajustamentos necessários" aos programas de emergência, como por exemplo mecanismos de apoio ao emprego e medidas de apoio aos rendimentos, para evitar custos de longo prazo da crise e promover a realocação de recursos para os setores que vão crescer. 

Além disso, a OCDE recomenda cooperação ao nível mundial para se manter as fronteiras abertas, bem como os fluxos de comércio internacional, de investimento e de equipamento médico. Isso será "essencial para mitigar e prevenir a disseminação do vírus em todas as partes do mundo, e acelerar a recuperação económica", defende.

Por Negócios
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