Rosa Mota distinguida com o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho
A antiga campeã olímpica torna-se na primeira mulher a receber tal distinção e, tal como Ramalho Eanes, também recusou o prémio monetário de 100 mil euros
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No dia em que completa 68 anos, Rosa Mota foi hoje distinguida com o Grande Prémio Ilídio Pinho, tornando-se na primeira mulher a receber tal distinção por parte da fundação.
A cerimónia decorreu esta segunda-feira nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, na presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, do antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e de diversas personalidades da vida institucional, cultural, científica, económica e desportiva.
No discurso de agradecimento, Rosa Mota sublinhou que o verdadeiro legado da sua carreira acaba por ser a ligação afetiva que teve com os portugueses que encontrou espalhados pelos quatro cantos do Mundo. "O que quero hoje lembrar aqui não são as medalhas nem os resultados. Quero falar-vos dos portugueses, os muitos portugueses que saíram das suas casas para vir ter comigo, em particular no estrangeiro", começou por referir, recordando a vitória na São Silvestre de São Paulo em 1981: "Foi a primeira vez que ouvi o hino português ser entoado para mim. Um hino acompanhado de bandeiras. Um hino acompanhado de lágrimas. A expressão intensa de uma saudade que eu desconhecia. A saudade do nosso país: Portugal. E para aqueles portugueses ali, eu era um pedaço do Portugal que tinham deixado para trás e que tanta falta lhes fazia."
A embaixadora de Portugal junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo vincou ainda que a distinção continuará a inspirá-la a levar o país para onde quer que vá. "Este prémio fez-me olhar para trás e perceber ainda melhor a importância desta Portugalidade. Onde quer que vá, sei que levo um pouco de Portugal comigo a quem dele precisa e regresso com um Portugal maior, o dos portugueses espalhados pelo mundo. Este prémio inspirar-me-á a continuar a levar Portugal comigo."
A par de galardões como o Prémio Pessoa ou o Prémio Camões, o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho afirma-se como uma das mais relevantes distinções nacionais. Antes de Rosa Mota, apenas três personalidades portuguesas haviam sido distinguidas com este galardão: o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, o arquiteto Álvaro Siza Vieira e o general António Ramalho Eanes. Tal como o general António Ramalho Eanes, Record sabe que, por motivos éticos, Rosa Mota recusou receber o prémio monetário de 100 mil euros da Fundação Ilídio Pinho.