Rui Pinto: «Portugal é uma plataforma de práticas fraudulentas, até para além do futebol»

Hacker apela ao governo francês e belga em entrevista ao 'Libération'

hacker Rui Pinto voltou a levantar suspeitas sobre o sistema judicial português, apelando ao governo francês e belga que o salvem do país. "Infelizmente, Portugal encontra-se do lado errado da guerra. Espero que outros países como a França ou a Bélgica me salvem deste país e aproveitem a oportunidade para investigar e processar os autores de infrações no mundo do futebol, que existem a uma escala inimaginável", disse Rui Pinto em entrevista ao jornal francês Libération.

O homem revela que a procuradora que está encarregue do seu processo lhe disse, durante um interrogatório, que a justiça "não pretende inquirir os assuntos de corrupção e fraude fiscal. Quer apenas que a minha cooperação seja autoincriminatória". O hacker lembra ainda que esta foi a procuradora destacada para "dirigir a a unidade, criada no ano passado para investigar crimes no futebol. Mas como todos podem constatar, a unidade dedicou-se unicamente a perseguir os denunciantes".

"Portugal é uma plataforma de práticas fraudulentas, até para além do futebol. Exorto a que as instituições europeias façam qualquer coisa. Portugal não participa na luta contra a corrupção e não manifesta nenhuma intenção de modificar as suas leis", denuncia o hacker Rui Pinto em declarações ao jornal francês.

Rui Pinto foi acusado de acesso ilegítimo e extorsão na forma tentada pelo Ministério Público. O pirata informático foi acusado de 147 crimes: 63 de violação correspondência, 75 de acesso ilegítimo, sendo que um é na forma agravada, um de extorsão na forma tentada, um de sabotagem informática e sete de violação de correspondência na forma agravada.

Em prisão preventiva desde 22 de março deste ano, Rui Pinto, de 30 anos, foi detido na Hungria e entregue às autoridades portuguesas, com base num mandado de detenção europeu (MDE), que apenas abrangia os acessos ilegais aos sistemas informáticos do Sporting e da Doyen.

Rui Pinto, que foi detido na Hungria e enviado para Portugal, onde está em prisão preventiva, pediu ao advogado Aníbal Pinto para que este fizesse, em outubro de 2015, um contrato com Nélio Lucas da Doyen e o advogado Pedro Henriques. O jovem informático, que se identificava apenas como "Artem Lobuzov", pretendia justificar o dinheiro que supostamente iria receber da Doyen a troco de não revelar informação comprometedora.

Em outubro de 2015 Nélio Lucas, o empresário que dá a cara pela Doyen revelava aos inspectores da Polícia Judiciária que quatro dias antes tinha recebido um primeiro email, com domínio do Cazaquistão, de alguém que se apresentava como "Artem Lobuzov" e que dizia estar na posse de informação confidencial sobre "o grupo Doyen bem como da sua relação com outras entidades e sociedades espalhadas pelo mundo". Seria Rui Pinto o autor desse email. 

Nos emails trocados de seguida, esse interlocutor dizia estar disposto a manter documentos e informação privados em troca de uma "doação generosa", revelou a SÁBADO em setembro do ano passado.

Na mesma ocasião, o empresário disse-se receoso da divulgação pública da informação e declarou ter "toda a actividade do grupo em suspenso", o que lhe estava a causar um avultado dano patrimonial. Para ajudar os inspectores da Judiciária a chegar ao autor do roubo, aceitou que se fizesse uma cópia dos ficheiros do seu telemóvel e, em conjunto, decidiram avançar para a realização da reunião proposta, com um advogado que não sabiam então quem era.

Por Sábado
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