Rui Rio: «Falharam manifestamente as profecias sobre a hecatombe do PSD»

Vai ponderar "com serenidade" a continuidade na liderança

Rui Rio
Rui Rio

O presidente do PSD assumiu no domingo que o partido não conseguiu o seu grande objetivo, vencer as eleições, mas considerou que o resultado não foi uma "grande derrota" e afirmou que vai ponderar "com serenidade" a continuidade na liderança.

"Não atingimos o objetivo, mas não é a grande derrota que muitos previam, essa grande derrota não existiu", defendeu Rui Rio, em declarações aos jornalistas, no hotel em Lisboa onde o partido acompanhou a noite eleitoral.

Questionado se vai abandonar a liderança do PSD -- pergunta que motivou risos e protestos da assistência -, Rui Rio começou por dizer que a pergunta partia do pressuposto errado, de que o PSD tinha tido a "grande derrota que muitos profetizavam e até desejavam".

"Essa pergunta que me está a fazer vai merecer serenidade e ponderação e ouvir as pessoas", afirmou.

Questionado se a sua prioridade serão as autárquicas de 2021, Rio voltou a fugir à pergunta, apontando que "a próxima direção nacional tem a obrigação" de considerar essas eleições como "nucleares".

"Espero que não faça agora uma crónica muito grande sobre o tabu de Rui Rio, que não disse hoje se continua ou não. O Rui Rio pondera, não há tabus só porque não responde ali ao fim de um minuto ou dois. Calma, Calma", apelou.

Rui Rio considerou que "o PSD basicamente repetiu o resultado de 2015", quando a coligação Portugal à Frente [PSD/CDS-PP] teve perto de 37% dos votos, estimando que nessa altura o CDS "valeria uns 8%".

Com todas as freguesias do território nacional apuradas, o PSD obteve hoje 27,9% dos votos, contra 36,65% do PS.

"Se o PS se excedeu na exuberância dos festejos logo a seguir às oito da noite, a vitória não foi assim tão grande e também foram manifestamente exagerados alguns desejos e profecias sobre a hecatombe do PSD", afirmou, considerando que o partido deu nestas eleições "um passo em frente para reconquistar a confiança" dos portugueses.

Na sua intervenção inicial, Rui Rio elencou as razões externas e internas para a derrota do partido, onde incluiu os críticos, as sondagens e a comunicação social.

O líder do PSD começou por saudar todos os adversários políticos, "em particular o PS e o dr. António Costa", dizendo que já tinha telefonado ao líder socialista a dar-lhe os parabéns.

"Por razões internas e externas, o PSD disputou estas eleições num enquadramento muito difícil", defendeu, apontando, a nível externo, a conjuntura internacional favorável que permitiu o crescimento económico "sem que o Governo precisasse de fazer muito".

Rio enumerou ainda outros dois fatores externos para explicar o resultado do PSD: o surgimento de novos partidos à direita, que segundo as suas contas representaram "uma perda de pelo menos 2%", e, finalmente, as sondagens.

Para o líder do PSD, "a prolongada publicação de sondagens dando o resultado eleitoral como fechado" terão "desmotivado a votação no PSD" e "galvanizado o PS", criticando em particular os órgãos que "há três semanas" apontavam um cenário de maioria absoluta dos socialistas.

Mas as acusações de Rui Rio foram também para dentro do partido, para os críticos internos.

"Do lado interno, tivemos uma permanente instabilidade dentro do partido, com a conivência de alguma comunicação social, designadamente através da intervenção de comentadores com agenda política, marcadamente ao PSD e à sua liderança", afirmou.

Rui Rio considerou mesmo que, sob a sua liderança, viveu "uma instabilidade de uma dimensão nunca antes vista na história do PSD e exclusivamente motivada por ambições pessoais".

Já na fase das perguntas, questionado se esperava nova investida dos críticos, Rio desvalorizou.

"Não faço a mínima ideia, tem de perguntar aos críticos o que fazem, eu não sei, não os controlo. Mas não me preocupa muito", afirmou, considerando que "apesar desse enquadramento difícil" o PSD cumpriu a sua obrigação.

Rui Rio chegou sozinho à sala da conferência de imprensa, sendo depois acompanhado em palco pelos principais dirigentes do partido.

A sua intervenção, que com as perguntas demorou pouco mais de 20 minutos, foi sendo interrompida por muitos aplausos -- por vezes de pé - e gritos de "PSD, PSD" por parte dos mais de cem apoiantes presentes na sala.

Por Lusa
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